quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Toponímia sentimental

Vemos cada sítio em que já estivemos com os olhos do coração, porque cada local fica associado ao que lá vivemos, numa espécie de mapa sentimental em que as grandes urbes são os locais em que fomos felizes, por insignificantes que sejam na importância real, colocando os locais em que a vida nos correu menos bem, por muito importantes que sejam, em terra de nenhures, onde não voltamos sem um calafrio, contrariados, e sem que a mente nos remeta para acontecimentos funestos.
Ligadas aos sítios em que fomos felizes ou não, estão pessoas que nos fizeram, ou não, felizes nesses sítios...
Cada sítio nos fala do que lá vivemos e com quem vivemos.
As histórias terminam, tudo passa, mas as nossas lembranças mantêm-nas vivas nos sítios onde se desenrolaram, por isso voltar é ser assolado por elas, numa espécie de folhear de álbum de fotografias amarelecidas, cujo cheiro adocicado a mofo nos suscita uma leve náusea.



aqui fui feliz
e isso basta-me

aqui tudo me diz
de olhares embrulhados
de mãos irrequietas
de sentires desgovernados

que importa se passou

sou aqui feliz onde fui

2 comentários:

pedro oliveira disse...

A semana passada por motivo pouco felizes, fui à minha terra natal durante o dia, geralmente vou à noite a casa dos pais e não sinto as cores,os cheiros,o movimento e não vejo mais do que as luzes do carro alcançam,mas nesse dia deu para cumprimentar,abraçar,conversar,sentir distanciamento de alguns menos provaveis,aproximação de de pessoas que não contamos e estar parado a olhar,deslumbrado, sobre a nossa terra e ver o filme da nossa vida á frente dos nossos olhos vale fortunas, muito mais do que o BPN ou BPP juntos.

mateo disse...

Como os lugares são óptimas razões para cuidar da alma...
Bjs