é uma incerteza
é um reflexo
é um nenúfar suspenso
na água do meu olhar
não sei
não quero saber
não quero tudo
quero o agora
onde a palavra
me embala
quero a pele
onde a tua saliva
se evapora.
domingo, 15 de abril de 2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012
doença
o corpo que nos encerra
o corpo
essa matéria vã
dos prazeres passageiros
a alma onde o ser se manifesta
ajoelha perante a matéria
É ele que nos aterra
e afunda
nesse buraco
de onde
nem um raio de alma
penetra.
o corpo
essa matéria vã
dos prazeres passageiros
a alma onde o ser se manifesta
ajoelha perante a matéria
É ele que nos aterra
e afunda
nesse buraco
de onde
nem um raio de alma
penetra.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
colo
as palavras que plantei
há tantas sementeiras
estão agora louras
eu não sabia
o nevoeiro
que tudo tolda
foi morte passageira
é hora da colheita
depositá-las-ei
rubras
no cetim
desse colo
onde sempre me embalo.
há tantas sementeiras
estão agora louras
eu não sabia
o nevoeiro
que tudo tolda
foi morte passageira
é hora da colheita
depositá-las-ei
rubras
no cetim
desse colo
onde sempre me embalo.
sexta-feira, 30 de março de 2012
alma
é um mar
é uma maré
é esta água revolta e fria
é pensar
é profundidade e abismo
é este ir e vir
torrente e corrente
alma inquieta
exigente
neste vai e vem
de sonhos perdidos
espera o batel
dos esquecidos...
no leme o sonho
dos que nunca se dão por vencidos.
quarta-feira, 28 de março de 2012
Cores
quero todas as cores
quero pintar as sílabas de risos
e sonhos
na boca de palavras
exilo as dores
pincelo-as
de carmim
e está a azul o céu
da paz que escolhi.
Estou em mim.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Na tarde de primavera e no calor temporão, na conversa aprazível da esplanada, observo. Magotes de gente que passa. Novas, velhas, com hábito, sem hábito, línguas diversas. Gestos particulares que marcam os olhos de quem vê.
Não sei de onde surge um casal, aparentemente banal. Não o seremos todos aparentemente? Meia idade... E o que é isto, cerca de 50 anos, com um aspeto em tudo banal... Nenhuma Angelina Jolie, nenhum Clooney. Nos pormenores marcam a diferença: a mão que se estende para ajudar a descer esse degrau que veem aqui em cima, os dedos entrelaçados, os corpos próximos e os olhares cúmplices.
Felizes, adolescentes de um amor sem tempo.
sexta-feira, 2 de março de 2012
prece
este sol fora de tempo
que arranha a alma renego
os cinzas, os negros, as águas
bem-vindos
nestes tempos
em que quem deu vida
a procura
no escuro do inverno
e da chuva
a minha vela
e a minha prece
terão mais luz
e talvez Deus veja.
que arranha a alma renego
os cinzas, os negros, as águas
bem-vindos
nestes tempos
em que quem deu vida
a procura
no escuro do inverno
e da chuva
a minha vela
e a minha prece
terão mais luz
e talvez Deus veja.
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