do dia de demasia
desprende-se
apenas
um farfalhar de papéis,
vozes apreendidas
carros que atravessam as ruas
deveres cumpridos
histórias partilhadas
momentos covividos
e um cheiro a fim de mundo
um sentimento sépia
que tudo impregna
normaliza
e esteriliza.
autómato.
cumpro.
nada de almas nuas
nem fantasias
nem melancolias
nem de latas a bater
nada de poder parecer
que algo
é mais que o ser.
só a névoa matinal
húmida e opaca
desafinou a pintura
e introduziu na alma
uma ligeira nervura.
I.P.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
nada
alindei-me
perfumei-me
saí
agrado-me
os outros?
olhares que escondem
o que não quero descobrir
sempre a mesma descoberta
esta vida incerta
esta promessa
que nunca é.
perfumei-me
saí
agrado-me
os outros?
olhares que escondem
o que não quero descobrir
sempre a mesma descoberta
esta vida incerta
esta promessa
que nunca é.
sábado, 8 de outubro de 2011
vazio
manhãs claras
almas turvas
da vida
de não saber dela
apenas esta água
em que me espelho
e onde nunca mergulho.
almas turvas
da vida
de não saber dela
apenas esta água
em que me espelho
e onde nunca mergulho.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Agenda
escorre dos dedos o último raio de calor
na alma em fogo
sou-me torpor
enleio de tristeza
que aguarda a noite
onde se banhará
em sombra e maresia.
Para a noite a poesia.
O resto?
Fica para a luz do dia.
na alma em fogo
sou-me torpor
enleio de tristeza
que aguarda a noite
onde se banhará
em sombra e maresia.
Para a noite a poesia.
O resto?
Fica para a luz do dia.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Deriva
daqui do alto
tudo tão longe
a alegria
a vida
o corpo
o sentir
só o coração da cidade
bate
pulsa
chama
mover
cumprir
respirar
o ser?
tem que se procurar
perdido
no segundo
de alguma hora...
tudo tão longe
a alegria
a vida
o corpo
o sentir
só o coração da cidade
bate
pulsa
chama
mover
cumprir
respirar
o ser?
tem que se procurar
perdido
no segundo
de alguma hora...
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Depois
se amanhã
o dia não vir
tenho pena hoje
do que não senti
do que não vi
do que não disse
do que não escrevi
correr pelo hoje
sem respirar
sem parar
para pensar
que o amanhã
talvez
na alva
em que não
esteja
veja lá do alto
sempre o que não consegui
almejar
e aí
talvez eu
toda seja.
o dia não vir
tenho pena hoje
do que não senti
do que não vi
do que não disse
do que não escrevi
correr pelo hoje
sem respirar
sem parar
para pensar
que o amanhã
talvez
na alva
em que não
esteja
veja lá do alto
sempre o que não consegui
almejar
e aí
talvez eu
toda seja.
domingo, 12 de junho de 2011
ipiranga
aqui estão elas
outra vez
as minhas palavras
livres
quem as quiser presas
acorrente-as
eu não consigo
tenho que as gritar
pouca me importa
o que parece
pouco me importa
que as desfaçam
são só umas tristes sílabas
de quem já tem tão pouco.
outra vez
as minhas palavras
livres
quem as quiser presas
acorrente-as
eu não consigo
tenho que as gritar
pouca me importa
o que parece
pouco me importa
que as desfaçam
são só umas tristes sílabas
de quem já tem tão pouco.
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