Os dias que nos escrevem trouxeram-nos aqui
neste cais de barcos embrulhados em palavras
mas que miram o infinito, prenhes de horizonte
apertado o leme
definimos a rota
e nos mapas embutidos no peito
traçamos caminhos com os dedos...
nas borrascas fito o além..
caminhos sempre incertos
juncados de vento e medos.
Ah esta alma de marinheiro
sedenta de espuma e bem!
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Volta
venho de longe
venho dos sítios breves
venho dos dias cansados
venho das noites curtas
voltei às palavras partilhadas
às sílabas intercaladas
em pensamento e silêncio.
deixem-me cultivar o tempo
das cerejas rubras
das águas plácidas
das alfazemas perfumadas
aí me derramarei
e nada mais serei
que um leve odor
que paira no ar.
venho dos sítios breves
venho dos dias cansados
venho das noites curtas
voltei às palavras partilhadas
às sílabas intercaladas
em pensamento e silêncio.
deixem-me cultivar o tempo
das cerejas rubras
das águas plácidas
das alfazemas perfumadas
aí me derramarei
e nada mais serei
que um leve odor
que paira no ar.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Sedimentos
As chuvas que tudo arrastam
foram maré cheia
de sentires
de afagos
de almas
em leves tragos
e nas águas
viu-se o sol
e todas as coisas
arrastadas pela viagem
encontraram o seu porto.
foram maré cheia
de sentires
de afagos
de almas
em leves tragos
e nas águas
viu-se o sol
e todas as coisas
arrastadas pela viagem
encontraram o seu porto.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Pureza
Um dia a pureza dos olhos bastará
Nesse dia andaremos pelas ruas
E estas estarão nuas
E serão mais verdade.
Nesse dia andaremos pelas ruas
E estas estarão nuas
E serão mais verdade.
domingo, 15 de novembro de 2009
Riscos
Neste silêncio sou só eu
Os meus pensamentos
Vão e vêm inquietos
E eu fecho os olhos
E deixo-os livres
Na alvura dos lençóis
Desenham arabescos
Linhas embrulhadas
Divergem
Convergem
Submergem
Emergem
Náufragos de mim.
Os meus pensamentos
Vão e vêm inquietos
E eu fecho os olhos
E deixo-os livres
Na alvura dos lençóis
Desenham arabescos
Linhas embrulhadas
Divergem
Convergem
Submergem
Emergem
Náufragos de mim.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Voo
um dia nascem-me umas asas
(sei que mereço)
e vou voar
para aquela terra que lembro
e que sei que existe
onde os dedos nos escrevem
por dentro da alma
onde as lágrimas cortadas
pelo sol são arco-íris
e onde
o acessório nunca é o principal.
Aí, despedir-me-ei das palavras
e serei só luz.
(sei que mereço)
e vou voar
para aquela terra que lembro
e que sei que existe
onde os dedos nos escrevem
por dentro da alma
onde as lágrimas cortadas
pelo sol são arco-íris
e onde
o acessório nunca é o principal.
Aí, despedir-me-ei das palavras
e serei só luz.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
manifesto
deixo passar as correntes...
não vou em correntezas
foi jura há muito escolhida
de ninguém adopto as certezas
no que for a minha vida
a mim responderei
e as migalhas que me querem dar
lixo!
sou pouco
sou muito
sou apenas
eu sou
e vou
onde?
quando lá chegar saberei...
para já basta-me este aconchego
e a chuva lá fora.
Nada mais preciso.
não vou em correntezas
foi jura há muito escolhida
de ninguém adopto as certezas
no que for a minha vida
a mim responderei
e as migalhas que me querem dar
lixo!
sou pouco
sou muito
sou apenas
eu sou
e vou
onde?
quando lá chegar saberei...
para já basta-me este aconchego
e a chuva lá fora.
Nada mais preciso.
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