domingo, 1 de novembro de 2009

Ponte




sinto a água que paira
sobre a serra e o castelo
gosto de a sentir assim
a repassar o que em mim sente
a evocar andanças,caminhos
aconchegos antigos
a alma nos postigos
donde te miro
absorta...

nesta tarde escurecida
pela água que tardou
há um oceano de ser
entre aquilo que é
e aquilo que não sou.






sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Amanhã

na leveza dos linhos me envolvo
na sua pureza me embalo

e nas palavras me enredo
e nas ideias me revolvo

e sou tudo aquilo que calo
na dormência
que me domina.

Amanhã...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Imaginação

dos sons que me chegam
no escuro
não quero saber a fonte
prefiro imaginar
o limbo mais obscuro
onde tudo é perfeito
e o amor é puro.

domingo, 25 de outubro de 2009

À deriva

nessas águas que por aqui passaram
mandei barcos de palavras

quem sabe onde aportarão
essas sílabas tontas...
Deixá-las ir!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Percurso


as luzes dos carros riscam a minha janela
vidas que se esgotam nos caminhos

no aconchego, penso nas encruzilhadas
passeio-me nas lembranças ...


as pedras
o pó
o vento
as tempestades


foram para chegar aqui
sereno o ar e o sentir
ignotas verdades
pura a palavra.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Chuva e passos

e ela veio
chegou pela madrugada
espraiou-se pela rua
escorreu-me
e eu
já nem sei
se sou maré
se calmaria
se maremoto

sou líquida
fujo-me neste pensamento
sou aquelas pernas que vejo
lá longe e cujo tronco ignoro
e será que interessa?

olho as mãos...
enquanto os ouvidos submissos toleram
e o sangue nas veias leva cada gota
que me sulcou

nunca entenderás
sou aqueles passos que se afastam
enquanto os copos tilintam.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

saudades do frio

cansada dos meus cansaços
dormente no calor tardio
uso estes silêncios lassos

quisera que o vento frio me aconchegasse
já em casa no torpor das lãs e das tristezas
talvez me trouxesse certezas
talvez os meus próprios braços
me transmutassem em levezas

e o desencanto feito aconchego
e o frio feito casa do vento
e eu deitada no meu pensamento
à espera do que não vem

quero só ficar enroscada
na minha casca listrada
de riso, dor e luta.