domingo, 24 de maio de 2009

altar

na noite me sinto acolhida
nas suas marés me espraio

vago na vaga do pensamento
plano no torpor do esquecimento


velo na noite esquecida
memória dum corpo fremente...

inteira, mulher... Sempre,
no altar desta vida.

terça-feira, 19 de maio de 2009

fuga


naquele azul vai-se-me o olhar

foge-me pela janela

parte assim sem avisar



e eu fico aqui presa

nesta sala

neste corpo

e não o posso acompanhar



quão leve é o pensamento

escapa-se a cada momento


fica o corpo neste tormento

de não ser onde queria estar...





segunda-feira, 18 de maio de 2009

Casa

manhã nova
no azul me diluo
no frescor renasço

fiz estradas densas
em noites atormentadas
de curvas sinuosas
de tristezas inesperadas

cheguei a casa...

domingo, 17 de maio de 2009

Simples

Simples, não é?
Respirar, comer, andar, falar, dormir...

Será assim tão simples
viver?

Era... Se não fosse o ser.

Sou-me estranha
Sou-te livro aberto
Sinto-te perto...

domingo, 10 de maio de 2009

Sulco


a mão que escolheu a palavra

traçou o sulco no corpo

e aí foi poema


letra a letra

pele a pele

desvendou a alma


e num cruzamento

na pele morena

alma e corpo

no mesmo alinhamento



na boca que segue a mão...

a liturgia da seiva

que se derrama ... serena.

sábado, 9 de maio de 2009

Castelo



agora que as chuvas marearam o pó


agora que o dia morre sombrio


agora que o silêncio toma a casa só


os pensamentos bailam no seu desvario





o castelo imóvel no céu recortado


assiste indiferente


ao ancestral bailado


viu entrar reis e rainhas

ouviu recitar ladainhas


sentiu desgostos e partidas


dores consentidas...






pouco importam os séculos

os ventos que o fustigaram

importam só as vidas.




E essas são secularmente iguais.



sexta-feira, 8 de maio de 2009

Chegou ao fim... Ufa! E estou viva... É o que interessa. Semana feita cansaço, feita lição. Sempre a aprender, como a vida gosta. E como eu gosto da vida, desculpo-lhe estas coisas
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