domingo, 10 de maio de 2009

Sulco


a mão que escolheu a palavra

traçou o sulco no corpo

e aí foi poema


letra a letra

pele a pele

desvendou a alma


e num cruzamento

na pele morena

alma e corpo

no mesmo alinhamento



na boca que segue a mão...

a liturgia da seiva

que se derrama ... serena.

sábado, 9 de maio de 2009

Castelo



agora que as chuvas marearam o pó


agora que o dia morre sombrio


agora que o silêncio toma a casa só


os pensamentos bailam no seu desvario





o castelo imóvel no céu recortado


assiste indiferente


ao ancestral bailado


viu entrar reis e rainhas

ouviu recitar ladainhas


sentiu desgostos e partidas


dores consentidas...






pouco importam os séculos

os ventos que o fustigaram

importam só as vidas.




E essas são secularmente iguais.



sexta-feira, 8 de maio de 2009

Chegou ao fim... Ufa! E estou viva... É o que interessa. Semana feita cansaço, feita lição. Sempre a aprender, como a vida gosta. E como eu gosto da vida, desculpo-lhe estas coisas
.

Amigos e Amizade

Hoje apeteceu-me voltar a colocar aqui dois textos sobre amigos e amizade que escrevi em 2007 e que estão no blog muito lá atrás...
Não mudei de ideias...

Amigos
Um amigo é um tesouro, costuma ouvir dizer-se, e com razão.Há quem tenha muitos amigos, há quem tenha poucos. Há quem pense muitas vezes ter encontrado o tal tesouro e, um belo dia, descubra que, por trás do brilho do ouro e das pedras preciosas que refulgiam se encontra apenas pechisbeque, sem qualquer valor.Eu tenho alguns tesouros, não muitos, porque amigos verdadeiros, daqueles que sobrevivem aos solavancos do comboio da vida, daqueles a quem podemos dizer uma graça e uma desgraça, daqueles que nos puxam a s orelhas quando é preciso e que são companheiros nas vitórias e nas derrotas, tenho muito poucos. Encontrar um amigo com estas características é raro, por isso são tesouros e devemos estimá-los. O seu brilho não é só uma capa de verniz superficial, vem de dentro: os maiores tesouros estão dentro de nós.A nossa vida é como qualquer cais de embarque de passageiros: chegam e partem pessoas, mas algumas demoram-se. Gostam do que vêem, nós gostamos de quem chega e construímos a nossa casa comum onde voltamos sempre, ainda que viajemos muito.É preciso mantermos a porta da casa aberta, pode entrar gente que não interessa, mas no meio da multidão há sempre tesouros escondidos que enriquecerão a nossa vida.


Cais...
Já aqui coloquei um texto sobre os amigos, logo no início. Hoje apeteceu-me voltar ao tema, por circunstâncias várias. Na altura falei que a nossa vida é como qualquer cais de embarque de passageiros: chegam e partem pessoas, mas algumas demoram-se. Gostam do que vêem, nós gostamos de quem chega e construímos a nossa casa comum onde voltamos sempre, ainda que viajemos muito.É preciso mantermos a porta da casa aberta, pode entrar gente que não interessa, mas no meio da multidão há sempre tesouros escondidos que enriquecerão a nossa vida.O problema é que nem sempre as partidas são pacíficas... Enquanto que as chegadas são momentos de alegria, de novidade, as partidas são muitas vezes sinónimo de perda, de dor, sobretudo quando sentimos que quem parte não regressará e porque normalmente os motivos da partida nos doem. Faz parte da vida e sabermos arrumar as ausências e o espaço de quem partiu, porque o terá sempre...é sinal de sabedoria e crescimento.Importante é manter a porta aberta... Há tanta gente que nos enriquece, que é única... Todos somos únicos de alguma forma, na nossa diversidade. Por isso gosto de gente em geral... Por isso gosto de sair de casa em cada dia, porque todos os dias me surpreendo. Nem sempre as surpresas são boas, mas as más não lhe dou grande importância... Vão para a reciclagem... As boas dão cor aos meus dias e fazem-me sentir muito bem por respirar.É manhã... Respiras, acordas e eu sinto.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

consolo

deixo a alma divagar
o corpo anda a lidar


pudesse eu escolher
e seria apenas luz
nem corpo nem alma
apenas a claridade que tudo conduz


mas como não me foi dado esse dom
e doutra forma não sei viver
sou assim imperfeita
dividida entre aquilo que sei querer
e o que sei não alcançar

resta-me a palavra para me consolar.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

caminhada


deste madrugada morna
quero a serenidade



deste sol nascente
quero o brilho


nada mais


vou só no meu trilho...





domingo, 3 de maio de 2009

Mãe

Não gosto de dias marcados. Aqui fica um texto que escrevi em Feveiro 2009 , mas que se adapta bem ao dia...

fui mãe nova, não demasiado nova, mas, de qualquer das maneiras, aos 23 anos penso que se pode considerar nova para os dias de hoje. fui mãe nova e como tal sem definir grandes planos ou traçar grandes objectivos,porque era assim casava-se e tinha-se filhos e pronto. nessa altura ainda não me tinha chegado a mania das interrogações ou das cogitações.por isso, não me debati com grandes interogações metafísicas ou dúvidas existenciais, sobre se seria boa mãe, sobre a grande responsabilidade de educar um filho,e essas cenas, como eles dizem agora.não sendo daquelas pessoas com instinto maternal exacerbado, fui aprendendo a ser mãe aos poucos, fui crescendo com eles, fui-me educando.
dezassete anos depois digo que é o emprego que mais gosto, o que me dá mais prazer, o que me dá mais felicidade.sem nenhuma dúvida.Sou uma mãe feliz, muito feliz.
não quer dizer que seja uma mãe perfeita, ou que os meus filhos sejam perfeitos... Mas andamos lá perto, loooooool (aprendi a lolar com eles).
Rimos muito os três, e às vezes gritamos muito também, porque os gajos são uns desarrumados do catano e ouvem música aos berros, menos mal que ouvem Doors, pink floyd e outras cenas afins, o problema é só o volume.
Com o mais velho, ave rara, partilho uma infinidade de coisas grandes e pequenas, livros, séries, blogues, confidências várias, os meus amigos, os seus amigos...
Com o mais novo, ganda cromo, mais parecido comigo, é mais músicas, culinária,ginásio, public relations e uma boa disposição contagiante.
Por isso, o dinheiro não estica, a euribor, o combustível, moem, mas não matam porque nos temos felizes e saudáveis.para o ano o mais velho vai sair do ninho, não me aflige, fico contente por ele, faz parte. eu fico cá sempre e ele sabe. mas vou ter umas saudadezitas...
pronto...hoje deu-me para isto, talvez porque ontem tive a casa cheia com os amigos deles e me diverti com o divertimento deles e porque adoro vê-los assim: felizes.
Para quem não tinha plano nem filosofia inicial, acho que não estou a ir mal, nada mal mesmo ( modéstia à parte)...