segunda-feira, 27 de abril de 2009

incerteza

é certo este pensar
é certo este acordar
é certo este cumprir a rotina



tudo mais são grandes nadas
pequenos tudos
que nos navegam à bolina...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

...

manhã estremunhada

pele à flor

boca desvendada



tudo nos momentos

em que palavras

são o nada...

domingo, 19 de abril de 2009

Vem aí... Palavra


nesta manhã me reclino

neste silêncio me escrevo

nesta terra molhada me planto


e na manhã sou destino

e no silêncio sussurro

e na terra pranto


e quando o sol chegar

a palavra será nua

andará solta na rua

semente de pensar

faca de magoar

fio de ligar


ou só silêncio

a germinar...




quinta-feira, 16 de abril de 2009

águas mil



as águas de abril desabaram


onde irão com tanta pressa...


levam-me os pensamentos


lavam-me os tormentos







e eu fico aqui a sentir a torrente

que escorre na outra vertente

de mim...







segunda-feira, 13 de abril de 2009

festivais, acampamentos e outros que tais



O rapaz regressou... Mais morto que vivo, que isto de passar cinco dias no acampamento de jovens do ensino secundário em Gouveia, com mais cinco mil almas secundárias também deve ser coisa cansativa... Bués! Aqui parece que tinham cortado a água e só havia cerveja... Que seca!!!
E dizemos nós... Acampar??Em Gouveia??? Nesta altura do ano??? Não faz frio???? Nenhum, ao que parecia, dava para andar de manga curta e tudo e não se constipou...
Eu até fiquei a pensar se Gouveia terá algum microclima... Eu que fui para sul na mesma altura e não andei de manga curta...Tinha frio! Coisas!!
Vinha feliz e com muitas histórias para contar... E cada uma!!!
(a música lá em cima foi escolhida pelo jovem... é alusiva...Guns N' Roses - Paradise City)





sábado, 11 de abril de 2009

Sábado..

Hoje um dia como gosto. De chuva do lado de dentro da minha janela. De frio e vento do lado de fora da minha janela. De silêncio... O que eu gosto do silêncio, o que eu gosto de ouvir os meus pensamentos soltos, fazem uns barulhos estranhos e eu gosto de os ouvir. Passam-me na cabeça todas as coisas que tenho vivido por estes dias, as que me têm marcado de alguma forma, as conversas que ouvi e disse , o que vi e o que senti.
Gosto de passar dias comigo assim... Ainda que seja estranho, mas sinto que assim serei capaz de passar melhores dias com os outros e também gosto de passar dias com os outros, muito.
Deixem-me lá ser estranha! Por que raio temos nós que ser todos iguais!
Ontem foi sexta-feira santa... Fez ontem um ano, comemorei os meus 40 anos rodeada de muitos dos que gostava, lembrei-me disso ontem quando não estava cá ninguém. Não estava, mas tinha estado. Ontem proporcionei a quatro seres humanos momentos de felicidade pura, porque em todos os desertos, em todos os infernos, há momentos de felicidade.
Não sei se é da chuva, se é do silêncio, se é das palavras...

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Lembranças 2


Volto às lembranças... Da Páscoa da infância e de outras coisas que contei esta semana e que prometi a quem me ouviu que iria pôr aqui, num guardar em frases, factos e costumes que cairão no esquecimento, porque vindos dum tempo em que, na falta de fotos, filmes, apenas as memórias em palavras de quem os viveu os pode salvar.

O meu avô era sacristão, como o meu bisavô, o meu trisavô... Ainda hoje o sacristão da igreja da Mendiga é da minha famíia...

Domingo de Páscoa acontecia a visita pascal... O meu avô acompanhava o padre, as pessoas apanhavam heras que misturavam com pétalas de flores e espalhavam do lado de fora da porta, de forma a dar as boas vindas ao padre.

A minha avó fazia o almoço para o padre e o sacristão seu marido comerem, vinham cansados depois de percorrem a aldeia toda a pé... Lembro-me daaquele coelho guisadinho na lareira, no tacho de barro...

Na semana anterior faziam-se os folares, no forno imenso. A nós, garotos, deixavam-nos fazer as correias de massa dos bolos que enfeitavam os ovos enfiados nos folares... A minha avó sempre a controlar as operações, com as quatro filhas por perto e os netos por ali a atrapalharem mais que a ajudarem. Era ela quem dizia quando o forno estava quente, havia um sinal especial, a boca do forno ficava branca... Da porta da casa de forno, via-se a torre da igreja, de onde se controlava a hora de entrada e saída do bolos, tal como do pão...

Depois era pincelar os bolos com ovo, polvilhar com açúcar e comparar com os das vizinhas a ver quais tinham ficado melhor...