quarta-feira, 4 de março de 2009

Perspectivas



Ontem de manhã fiz uma descoberta curiosa. Sentei-me aqui, como o faço há três anos, de frente para o castelo, muitas vezes tenho partilhado com vocês esta vista do meu castelo de contos de fadas e, pela primeira vez, em vez de os meus olhos se prenderem no castelo, ficaram-se pelo cemitério, que fica um pouco mais abaixo. Curioso... Ele sempre lá esteve e eu sabia-o, mas os meus olhos nunca o identificavam.


Talvez seja uma questão de perspectiva, como em tudo na vida. A mesma paisagem, os mesmos olhos, uma maneira de olhar diferente.

terça-feira, 3 de março de 2009

Adeus



Hoje não é um dia qualquer.
É especial
Se procurar no meu calendário
Cada dia tem sua efeméride

Tanta coisa aconteceu hoje
Chuvas diluvianas
Gente nasceu, gente morreu
Gente saiu de casa trabalhar e regressou

Este também será único…
Saíste…
E não sei se regressas…
Tens lugar marcado na minha pele
Cheiro cativo em mim.

No calendário da minha alma não há Outono
Que arranque as tuas folhas…
Quando do teu aroma nada ficar…
Folhear-te-ei

E desprender-se-á um rumor de beijos, risos, olhares…





Poema publicado aqui no blog em 9 de Abril de 2008, dos primeiros que escrevi!

Pensamento Criador


Ontem enquanto subia a Serra da Estrela na minha bike (é a sensação que tenho naquelas aulas de spinning), pensava que realmente os dias são o que fazemos deles. Ontem decidi que ia ter um dia bom e tive!O pensamento é realmente criador, ensinaram-me isso em tempos e é verdade.
Divirto-me muito na minha escola, gosto de lá estar, rio muito e isso faz bem.
Pedalava e pensava no debate que tinha tido com os meus alunos sobre a infidelidade... Estão nos 15 anos, acompanho-os desde os doze. Já falámos de tudo, de sexo, de amizade, da morte, do amor, de política, de cidadania... Os assuntos e as dúvidas têm evoluído à medida que têm crescido e a infidelidade surgiu a propósito dos namoricos deles. Correu bem, são sensatos e já têm opinião formada sobre os assuntos. Procuro sempre cultivar o pluralismo e a tolerância, a abertura perante realidades e pontos de vista diferentes. Eles são o máximo. Gostei muito.
Terminei o dia com uma conversa gira... A vida, se deixarmos, pode sempre surpreender-nos. É claro que nos surpreende pela negativa às vezes, mas nesses casos é aprender e reciclar. No caso das surpresas positivas é aproveitar.
Enfim, os nossos dias são bonitos se os quisermos assim..

segunda-feira, 2 de março de 2009

Manhã




Manhã nova

noite descansada



céu azul

nuvem semeada



tempestade amainada

aves ao longe




voo no olhar

plano assim

pelo prazer






de te poder tocar

mesmo sem saber

se és feito de mim.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Revolutionary Road


Hoje fui ao cinema ver o filme que deu o Óscar de melhor actriz à Kate Winslet. Um filme fantástico baseado numa história do mais comum que há. Saí de lá e chorei (não vale a pena rirem-se porque eu admito que sou uma lamechas e choro com estas coisas)!
O título do filme corresponde ao nome da rua onde vive o casal constituído pela Kate e o Leonardo di Caprio e não é por acaso. Lembrava-me sempre deles no Titanic, ela a boiar naquele pedaço de madeira e ele a morrer congelado naquelas águas tenebrosas e gélidas, mas este filme apaga completamente essa imagem.
Um homem e uma mulher excepcionais em que cada um admira no outro o seu brilhantismo interior e que, mercê das circunstâncias da vida (filhos, casamento, casa), abdicam, quase sem dar por isso, do que de melhor têm. Até que um dia, ela se dá conta do quanto é “desesperadamente vazia “ a sua vida e decide retomar a capacidade de acreditar e de mudar da juventude.
Mexeu muito comigo enquanto mulher e enquanto ser humano este filme. Quando perdemos a capacidade de nos rebelarmos à rotina que nos engole, quando cedemos ao comodismo das soluções mais fáceis, morremos por dentro. E nalguns casos por fora também.
Aconselho vivamente, verão uma Kate Winslet magistral. (Não referi pormenores da história para não tirar o interesse).
É um filme muito duro. Os diálogos são muito intensos e dramáticos. Há uma cena ou duas (as do aborto) em que senti até algo de físico, as entranhas revoltas.

Palavras



Escolho as palavras uma a uma. Escrevo, leio, releio, apago, substituo, reescrevo. Peso-as, meço-as, ensaio a sua aerodinâmica, calculo a sua força no momento de impacto e os danos colaterais. Escondo-as, porque o tempo é de silêncio, um silêncio com tanta coisa por dizer.

Eu vou treinando palavras, numa espécie de exercício libertador porque enquanto escrevo o que não digo, ponho a alma ao sol primaveril. Faço uma espécie de diário, o diário das palavras que diria.
Parece-me que uma adjectivação mais inaudita, uma pronúncia mais brusca, ou uma frase mais rebuscada podem ter um efeito de um tsunami e derrubar estruturas frágeis e evocar tragédias antigas, portanto escrevo e calo até ao momento em que um daqueles impulsos me assole e eu as envie, de olhos fechados, com medo do impacto.
São assim as palavras… Pontes ou bombas, luz ou treva, ternura que me sai dos dedos ou chicote com que vergasto.
Escolho as palavras uma a uma…

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Rosa-Albardeira (Pæonia broteroi)

Vêem esta flor? É especial. Talvez sejam todas, mas esta é muito. É conhecida por aqui como rosa-albardeira. É uma espécie rara, protegida e é selvagem. Nasce no meio das pedras por esses terrenos incultos, aparece na Primavera e o seu aroma é único.
Nós, tal como esta rosa, também somos únicos na nossa beleza e aroma.
Apreciem-na bem e se quiserem sentir o seu aroma, digam. Terei todo gosto em ser vossa guia por estas serras, à descoberta de rosas-albardeiras.


P.S. Agradeço a quem me mandou esta flor, conhece bem os meus gostos. É sempre bom receber flores.