Gosto deste silêncio
Gosto deste sol que me banha
Gosto deste tempo que é meu
Aqui espero não sei o quê
Nem quando
Não é importante
Importante é esperar
prenhe de crer...
e quando a vida passar
ter as duas mãos prontas
para a agarrar!
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Silêncio
Cala os teus silêncios
Aturdem-me
Almas enredadas
Em novelos de nadas
Basta-me a brisa
E sou pássaro
E água
E riso
De nada mais preciso.
Aturdem-me
Almas enredadas
Em novelos de nadas
Basta-me a brisa
E sou pássaro
E água
E riso
De nada mais preciso.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Dança

O dia quase a despontar ali na rua. Lá dentro, uma multidão comprimida que se agita, que se encontra, corpos e olhares que se tocam na voragem da música, do copo na mão, da libertação redentora de angústias e dias crispados.O constrangimento atrás da máscara, olhos que se tacteiam na penumbra, passos que se juntam, corpos que se unem. Dançam, fundidos, presos nos olhos.
Linguagem ancestral, sem dicionário, tradução ou estilística. Mímica de vida.
Linguagem ancestral, sem dicionário, tradução ou estilística. Mímica de vida.
(Acompanhar com música... Cat Power, lá em cima... )
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Labirinto
Tremor
De frio
De ti
Deste desatino
Que não domino
Caminho-te
Às cegas
Tacteio-te
É noite.
Perco-me.
Devolve-me...

Devolve-me a minha vida, que não sei o que fazer sem ela. Devolve-me a clarividência do riso das crianças, a doçura dos domingos embalados na modorra familiar, as receitas experimentais no caos da minha cozinha minúscula e o gozo de afagar os cães com as suas línguas caídas e alegres. Devolve-me a futilidade das tardes roubadas ao trabalho e passadas entre amigas, o entrar e sair dos provadores, um número abaixo, um número acima, esta saia fica-me mal, essas calças ficam-te bem, o cobiçar das botas na montra e o aconchego da noite, que sempre tratei por tu e que agora é uma estrada escura que atravesso a pé e a medo até ao limiar do dia. Devolve-me as músicas que me faziam feliz, a voz redonda e cheia com que as cantava pela janela do carro, o prazer das manhãs debaixo de um céu sem nuvens, a vontade de ler um livro, um livro a sério. Devolve-me a capacidade de atentar nos detalhes, no traço incerto de uns dedos pequenos e gorduchos numa folha branca, na pontaria instintiva de uma piada privada atirada ao ar; devolve-me a sede de saber do mundo no escrutínio de um jornal diário, devolve-me o sócrates e o obama, as respostas que te não dei, mais a luta que te não ofereci e os argumentos a que me escusei quando me lancei à tua boca e as palavras foram só empecilhos. Devolve-me as noites pacificadas no enrosco de um abraço, a ignorância que tinha de ti, a incisão na pele de um raio de sol de inverno e o gozo de ver um bom filme. Devolve-me o prazer do silêncio e do telemóvel desligado. Devolve-me, que as pessoas já falam e comentam e reparam no invólucro de mim que sobrevive rasteiro, e toma (leva contigo), esta abrasão no peito, a dispersão e o medo, a indiferença e o tédio, o insosso das refeições, a vontade de crer nas tuas rimas e a cefaleia constante que me provocam os ladrares, as canções, as conversas, os risos dos meus amores e todos os sons, do campo e da cidade, nos quais não te materializas de imediato. Devolve-me a minha vida, que não sei o que fazer sem ela."
Jantar bloguista Portomosense
Ontem fui a um jantar bloguista. Pretendeu-se reunir os blogues do concelho e respectivos donos e tratar todos os assuntos que os envolvem, anonimatos, comentários, moderação de comentários, etc.
Do jantar, o que mais sobressaiu, além do debate das questões previamente anunciadas, foi algum extremar de posições entre os dois blogues mais influentes em termos políticos no concelho.
De um lado o Vila Forte , a blogar desde 2006, feito por gente do PSD, com cinco editores e que não tem os comentários moderados, e de outro lado o Pensar Porto de Mós, feito pelo João Gabriel, jornalista da TVI, um blog que também começou em 2006 e que tem a particularidade de ter feito oposição ao executivo PSD, ter feito campanha para a lista socialista liderada por Salgueiro.
Uma brilhante campanha da qual João Gabriel foi director, digo brilhante porque quando se consegue vender com sucesso um mau produto a campanha é boa. Só que, após alguns meses de utilização do produto, diga-se governação salgueirista, João Gabriel, descobriu o quanto tinha sido boa a campanha, e voltou a fazer no seu blog oposição ao ao executivo camarário, desta vez a que tinha ajudado a eleger.
Dou estas explicações todas para que, quem me leia e não é de cá, perceba tudinho.
Estes dois blogues têm duas filosofias editoriais diferentes, cada uma com aspectos positivos e negativos, assumindo os respectivos donos as consequências que daí advêm. Foi consensual que o anonimato, quando serve para a difamação, o ataque pessoal rasteiro é uma arma torpe, devendo esses comentários ser eliminados, proclamando João Gabriel, com razão que, como não há moderação no Vila Forte e os comentários vão para o ar antes de ser sancionados, sendo apagados posteriormente, que o dano às pessoas visadas já está feito. Também é verdade que o Vila Forte, pelo facto de não moderar comentários tem constituido um fórum importantíssimo de discussão política concelhia, tendo conseguido de alguma forma disciplinar os ataques pessoais que diminuiram drasticamente desde o início.
Eu gostei de ir... Aproveitei o convívio com os bloguistas mais experientes para aprender alguma coisa, como por exemplo inserir links (já consigo!) e fotos (vou tentar).
Com esta ajuda já completei o post das correntes que me enviou o Anónimo, vejam mais abaixo os felizes contemplados.
Do jantar, o que mais sobressaiu, além do debate das questões previamente anunciadas, foi algum extremar de posições entre os dois blogues mais influentes em termos políticos no concelho.
De um lado o Vila Forte , a blogar desde 2006, feito por gente do PSD, com cinco editores e que não tem os comentários moderados, e de outro lado o Pensar Porto de Mós, feito pelo João Gabriel, jornalista da TVI, um blog que também começou em 2006 e que tem a particularidade de ter feito oposição ao executivo PSD, ter feito campanha para a lista socialista liderada por Salgueiro.
Uma brilhante campanha da qual João Gabriel foi director, digo brilhante porque quando se consegue vender com sucesso um mau produto a campanha é boa. Só que, após alguns meses de utilização do produto, diga-se governação salgueirista, João Gabriel, descobriu o quanto tinha sido boa a campanha, e voltou a fazer no seu blog oposição ao ao executivo camarário, desta vez a que tinha ajudado a eleger.
Dou estas explicações todas para que, quem me leia e não é de cá, perceba tudinho.
Estes dois blogues têm duas filosofias editoriais diferentes, cada uma com aspectos positivos e negativos, assumindo os respectivos donos as consequências que daí advêm. Foi consensual que o anonimato, quando serve para a difamação, o ataque pessoal rasteiro é uma arma torpe, devendo esses comentários ser eliminados, proclamando João Gabriel, com razão que, como não há moderação no Vila Forte e os comentários vão para o ar antes de ser sancionados, sendo apagados posteriormente, que o dano às pessoas visadas já está feito. Também é verdade que o Vila Forte, pelo facto de não moderar comentários tem constituido um fórum importantíssimo de discussão política concelhia, tendo conseguido de alguma forma disciplinar os ataques pessoais que diminuiram drasticamente desde o início.
Eu gostei de ir... Aproveitei o convívio com os bloguistas mais experientes para aprender alguma coisa, como por exemplo inserir links (já consigo!) e fotos (vou tentar).
Com esta ajuda já completei o post das correntes que me enviou o Anónimo, vejam mais abaixo os felizes contemplados.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Momentos

Eu estava ali sentada na penumbra, naquele sofá onde me tinha enterrado. Cansada. Mal dormida. Absorta. Alheia à confusão que centenas de crianças e adolescentes espalhavam por ali, via através deles, nos meus devaneios.
De repente o meu olhar perdido, esbarra num outro olhar fixo em mim, ali mesmo à minha frente. Olhos enormes, escuros, luminosos. Menina de uns sete, oito anos, ar levemente exótico, talvez indiano, franzina, cabelo negro. Metida numa fila de meninos que esperam a sua vez para entrar.
Por momentos falámos, os nossos olhos cumprimentaram-se e as nossas almas tocaram-se e nasceu um sorriso espontâneo de quem se cumprimenta com genuina alegria.
Há olhos assim, que se cruzam com os nossos e onde nos sentimos em casa por segundos. Um dia perguntaram-me se os meus olhos eram bonitos e eu disse que sim, perguntaram-me porquê e eu respondi... Porque há muitos olhos que se prendem nos meus.
De repente o meu olhar perdido, esbarra num outro olhar fixo em mim, ali mesmo à minha frente. Olhos enormes, escuros, luminosos. Menina de uns sete, oito anos, ar levemente exótico, talvez indiano, franzina, cabelo negro. Metida numa fila de meninos que esperam a sua vez para entrar.
Por momentos falámos, os nossos olhos cumprimentaram-se e as nossas almas tocaram-se e nasceu um sorriso espontâneo de quem se cumprimenta com genuina alegria.
Há olhos assim, que se cruzam com os nossos e onde nos sentimos em casa por segundos. Um dia perguntaram-me se os meus olhos eram bonitos e eu disse que sim, perguntaram-me porquê e eu respondi... Porque há muitos olhos que se prendem nos meus.
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