Gosto de subir a serra assim de manhã cedo, quando é início de tudo e o dia um imenso território inexplorado em que tudo pode acontecer...
Observo o sol que derrete o gelo, ouço a música, sinto-me em casa aqui, nestas pedras, nestas árvores raras, nesta paisagem agreste e nua,onde me recolho e me sinto inteira. Despida de acessórios, em ligação directa à força alimentadora.
Hoje fiz um exercício habitual em mim, experimentei ver a minha paisagem querida pelos teus olhos,que não a conhecem.
Saboreei-a no prazer da tua descoberta, antevi-me na tua surpresa,vi-me nos teus olhos, os meus expectantes...
- Gostas?
Acho que sim.
No verde dos meus olhos há folhas de oliveira e restos de mel de madressilva e rosas albardeiras. Cá dentro afasto aquelas pedras maiores que impedem os visitantes de chegar àquele cantinho de paisagem que só eu conheço.
É bom ter-te cá.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Toponímia sentimental
Vemos cada sítio em que já estivemos com os olhos do coração, porque cada local fica associado ao que lá vivemos, numa espécie de mapa sentimental em que as grandes urbes são os locais em que fomos felizes, por insignificantes que sejam na importância real, colocando os locais em que a vida nos correu menos bem, por muito importantes que sejam, em terra de nenhures, onde não voltamos sem um calafrio, contrariados, e sem que a mente nos remeta para acontecimentos funestos.
Ligadas aos sítios em que fomos felizes ou não, estão pessoas que nos fizeram, ou não, felizes nesses sítios...
Cada sítio nos fala do que lá vivemos e com quem vivemos.
As histórias terminam, tudo passa, mas as nossas lembranças mantêm-nas vivas nos sítios onde se desenrolaram, por isso voltar é ser assolado por elas, numa espécie de folhear de álbum de fotografias amarelecidas, cujo cheiro adocicado a mofo nos suscita uma leve náusea.
aqui fui feliz
e isso basta-me
aqui tudo me diz
de olhares embrulhados
de mãos irrequietas
de sentires desgovernados
que importa se passou
sou aqui feliz onde fui
Ligadas aos sítios em que fomos felizes ou não, estão pessoas que nos fizeram, ou não, felizes nesses sítios...
Cada sítio nos fala do que lá vivemos e com quem vivemos.
As histórias terminam, tudo passa, mas as nossas lembranças mantêm-nas vivas nos sítios onde se desenrolaram, por isso voltar é ser assolado por elas, numa espécie de folhear de álbum de fotografias amarelecidas, cujo cheiro adocicado a mofo nos suscita uma leve náusea.
aqui fui feliz
e isso basta-me
aqui tudo me diz
de olhares embrulhados
de mãos irrequietas
de sentires desgovernados
que importa se passou
sou aqui feliz onde fui
domingo, 8 de fevereiro de 2009
mãe
fui mãe nova, não demasiado nova, mas, de qualquer das maneiras, aos 23 anos penso que se pode considerar nova para os dias de hoje. fui mãe nova e como tal sem definir grandes planos ou traçar grandes objectivos,porque era assim casava-se e tinha-se filhos e pronto. nessa altura ainda não me tinha chegado a mania das interrogações ou das cogitações.
por isso, não me debati com grandes interogações metafísicas ou dúvidas existenciais, sobre se seria boa mãe, sobre a grande responsabilidade de educar um filho,e essas cenas, como eles dizem agora.
não sendo daquelas pessoas com instinto maternal exacerbado, fui aprendendo a ser mãe aos poucos, fui crescendo com eles, fui-me educando.
dezassete anos depois digo que é o emprego que mais gosto, o que me dá mais prazer, o que me dá mais felicidade.sem nenhuma dúvida.
Sou uma mãe feliz, muito feliz. Isto não quer dizer que seja uma mãe perfeita, ou que os meus filhos sejam perfeitos... Mas andamos lá perto, loooooool (aprendi a lolar com eles).
Rimos muito os três, e às vezes gritamos muito também, porque os gajos são uns desarrumados do catano e ouvem música aos berros, menos mal que ouvem Doors, pink floyd e outras cenas afins, o problema é só o volume.
Com o mais velho, ave rara, partilho uma infinidade de coisas grandes e pequenas, livros, séries, blogues, confidências várias, os meus amigos, os seus amigos...
Com o mais novo, ganda cromo, mais parecido comigo, é mais músicas, culinária,ginásio, public relations e uma boa disposição contagiante.
por isso, o dinheiro não estica, a euribor, o combustível, moem, mas não matam porque nos temos felizes e saudáveis.
para o ano o mais velho vai sair do ninho, não me aflige, fico contente por ele, faz parte. eu fico cá sempre e ele sabe. mas vou ter umas saudadezitas...
pronto...
hoje deu-me para isto, talvez porque ontem tive a casa cheia com os amigos deles e me diverti com o divertimento deles e porque adoro vê-los assim: felizes.
para quem não tinha plano nem filosofia inicial, acho que não estou a ir mal, nada mal mesmo ( modéstia à parte)...
por isso, não me debati com grandes interogações metafísicas ou dúvidas existenciais, sobre se seria boa mãe, sobre a grande responsabilidade de educar um filho,e essas cenas, como eles dizem agora.
não sendo daquelas pessoas com instinto maternal exacerbado, fui aprendendo a ser mãe aos poucos, fui crescendo com eles, fui-me educando.
dezassete anos depois digo que é o emprego que mais gosto, o que me dá mais prazer, o que me dá mais felicidade.sem nenhuma dúvida.
Sou uma mãe feliz, muito feliz. Isto não quer dizer que seja uma mãe perfeita, ou que os meus filhos sejam perfeitos... Mas andamos lá perto, loooooool (aprendi a lolar com eles).
Rimos muito os três, e às vezes gritamos muito também, porque os gajos são uns desarrumados do catano e ouvem música aos berros, menos mal que ouvem Doors, pink floyd e outras cenas afins, o problema é só o volume.
Com o mais velho, ave rara, partilho uma infinidade de coisas grandes e pequenas, livros, séries, blogues, confidências várias, os meus amigos, os seus amigos...
Com o mais novo, ganda cromo, mais parecido comigo, é mais músicas, culinária,ginásio, public relations e uma boa disposição contagiante.
por isso, o dinheiro não estica, a euribor, o combustível, moem, mas não matam porque nos temos felizes e saudáveis.
para o ano o mais velho vai sair do ninho, não me aflige, fico contente por ele, faz parte. eu fico cá sempre e ele sabe. mas vou ter umas saudadezitas...
pronto...
hoje deu-me para isto, talvez porque ontem tive a casa cheia com os amigos deles e me diverti com o divertimento deles e porque adoro vê-los assim: felizes.
para quem não tinha plano nem filosofia inicial, acho que não estou a ir mal, nada mal mesmo ( modéstia à parte)...
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Rasto... Outro
Tudo se apaga
apaga-se
a Dor
os nomes
o inútil
o fútil
O meu rasto fica
cada sílaba que juntei
cada beijo que te dei
Pisei com força
Na vida desencontrada
Em cada estrada esburacada
O meu rasto fica
E eu vou comigo…
apaga-se
a Dor
os nomes
o inútil
o fútil
O meu rasto fica
cada sílaba que juntei
cada beijo que te dei
Pisei com força
Na vida desencontrada
Em cada estrada esburacada
O meu rasto fica
E eu vou comigo…
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Não me importa...
Não me importa
Se, como diz a canção,
A vida vai torta
Não me importa
Se a felicidade
Me errou a porta
Não me importa
Se essa indiferença
Me corta
Não me importa
Se a palavra
Nasce morta
Porque entre o que não me importa
E o que sou
Nasce o novo dia
E eu vou na sua melodia…
Para onde vou?
Não me importa
Ainda que a vida seja torta
É nela que estou.
Se, como diz a canção,
A vida vai torta
Não me importa
Se a felicidade
Me errou a porta
Não me importa
Se essa indiferença
Me corta
Não me importa
Se a palavra
Nasce morta
Porque entre o que não me importa
E o que sou
Nasce o novo dia
E eu vou na sua melodia…
Para onde vou?
Não me importa
Ainda que a vida seja torta
É nela que estou.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Pessoal
Bem... Andei aqui a hesitar antes de pôr este texto e de me expôr nele, mas agora que o fim de semana quase acabou decidi-me.
Este blog nasceu assim por acaso, por empurrão de uma amiga que também tinha um, (obrigada Deus por todas as pessoas que puseste no meu caminho, todas sem excepção me ensinaram alguma coisa),e sem ter nada de especial que colocar aqui , a não ser as crónicas que escrevia para os jornais aqui da região e outros poemas e textos alheios de que gostava.
Depois, lentamente, comecei a escrever outros textos, até que um dia alguém especial me disse que eu era capaz de escrever poesia e eu tentei...
Primeiro muito insegura, depois à medida que fui recolhendo opiniões, fui-me espraiando nas palavras, ganhando confiança de verso em verso.
Ontem foi um dia especial. Diferente.
Vi, pela primeira vez, os meus poemas impressos num livro e gostei. Com o meu nome. Não Maresia, não Rabiscos, mas eu Irene Cordeiro Pereira.
Embora sinta que a poesia me deixa nua, já não faz sentido continuar a ocultar o meu nome...
Já agora o livro chama-se antologia de poetas contemporâneos "Entre o sono e o sonho" da Chiado Editores.
Bem hajam.
Este blog nasceu assim por acaso, por empurrão de uma amiga que também tinha um, (obrigada Deus por todas as pessoas que puseste no meu caminho, todas sem excepção me ensinaram alguma coisa),e sem ter nada de especial que colocar aqui , a não ser as crónicas que escrevia para os jornais aqui da região e outros poemas e textos alheios de que gostava.
Depois, lentamente, comecei a escrever outros textos, até que um dia alguém especial me disse que eu era capaz de escrever poesia e eu tentei...
Primeiro muito insegura, depois à medida que fui recolhendo opiniões, fui-me espraiando nas palavras, ganhando confiança de verso em verso.
Ontem foi um dia especial. Diferente.
Vi, pela primeira vez, os meus poemas impressos num livro e gostei. Com o meu nome. Não Maresia, não Rabiscos, mas eu Irene Cordeiro Pereira.
Embora sinta que a poesia me deixa nua, já não faz sentido continuar a ocultar o meu nome...
Já agora o livro chama-se antologia de poetas contemporâneos "Entre o sono e o sonho" da Chiado Editores.
Bem hajam.
Rasto.... Outro
Tudo se apaga
Apagam-se as palavras
Os nomes
O inútil
O meu rasto fica
Pisei com força
Na vida desencontrada
Em cada estrada esburacada
O meu rasto fica
E eu vou comigo…
Apagam-se as palavras
Os nomes
O inútil
O meu rasto fica
Pisei com força
Na vida desencontrada
Em cada estrada esburacada
O meu rasto fica
E eu vou comigo…
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