terça-feira, 7 de outubro de 2008

Madrugada

Foi o vento que me acordou
A chuva veio de noite
e molhou o meu desassossego

sonhos embrulhados
em calor, mágoa e nada

Vendaval que trazes o dia
Sopra os meus sonhos na lonjura
Semeia-os por aí...

Eu quero dormir sossegada.

domingo, 5 de outubro de 2008

na vastidão do horizonte
recolho pedaços de nuvens
restos de ventos
gotas de chuva
beijos de sol
teço um colar
saio a dançar

as penas na lonjura
as dores lá atrás...

sábado, 4 de outubro de 2008

Prece

Ao longe a música
Vultos que se mexem na noite

Festa no relento outonal

Queria ser ponto insiginificante
no universo astral

Ser só luz que alumia
Era o que eu mais queria

Lá no alto
não me chegava a alegria...

Mas a dor, também não a sabia.

Reciclagem

Deita as palavras no lixo!
Bem sei que as alindaste para mim
escolhidas uma a uma na gaveta a abarrotar
e que as encostaste do jeito que só tu sabes...

De todas guarda apenas a palavra paz
escreve-a em ti a tinta permanente

Deixa vir Outonos, ventos, tempestades
Deixa voar folhas amarelecidas

Sê persistente!
venham mortes, venham vidas
Tu estás em ti!
O resto são só restos...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Cansaço

É tão longa a caminhada
Tão sinuoso o caminho
Mais uma encruzilhada...

Não me apetece escolher
Não me apetece andar
Não me apetece nada!

Vou ficar aqui a dormir
vou na próxima nau
talvez me apeteça partir...

Observo os viajantes
Com uma ponta de nostalgia
Também assim fui um dia...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Meio Sentir

Cai a noite

A vida de todos os dias segue a sua vida...

E eu deixo-a ir



Parece fácil viver

É só respirar

E não pensar em ser



Não querer mais

Não sentir mais



Só a medida certa

A porta meio aberta

Só o meio ter

Para não doer.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Quadras quotidianas

Mais um dia...
A luz a incidir no mundo lá fora
Parece tudo tão igual
E sinto-o tão diferente agora

A ilusão da vida simples
O apego ao que é "normal"
Nos meus olhos o filtro
com que observo o real

vou juntar-me à multidão
que labora sem cessar
No corre-corre do pão
Sem tempo para pensar

só nos meus olhos da alma
poderás ver a tristeza
Aí sou toda inteira
não finjo, nem que queira

aí todos os meus fracassos
todos os meus contentamentos
os meus sorrisos
os meus lamentos

Saio de cabeça levantada
Mergulho na vida que passa...