terça-feira, 15 de julho de 2008

Noite de Estio

na madrugada serena
envolve-me o luar morno

nada temo
nada sou
nada anseio

apenas esta calmaria
que me navega e me desbrava

e semeia pontos de luz
que me guiam para lá

onde não sei o destino
mas vou...

sábado, 12 de julho de 2008

Cegueira

Porque me dispo e não vês
Porque te canto e não me embalas
Porque te leio e não ouves
Porque me dou e não abres as mãos
Porque te acolho e não te recolhes

Porque sou flor de sal e me despedaças.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Quadras sentidas

Vesti-me de dores e penas
compus a minha carapaça
sorriso afivelado nas cenas
indiferente à conversa que passa



As penas perderam-se no ar
Deixaram apenas a lição
Despi-as sem vacilar
Mais rico o coração

Batendo independente
Sem recear tempestade
Coração imprudente
Porque és assim verdade?

Despe-te de ilusões
nada anseies que não bater
a vida sem confusões
Sem dor para te acometer...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Plenitude

Há dias assim
Em que cada coisa do universo
Parece que começa e termina em mim

Não há princípio nem meio nem fim
há apenas um sentido de pertença
de integração
de comunhão

E tudo está exactamente onde devia estar
Aquela música que toca
O céu estrelado
O frescor da noite que me invade
O cheiro que me deixaste

Maresia nocturna
Voa-me ao mar
Sê barco em mim
eu quero remar
e perder-me na miragem

Hoje sou viagem.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Ao longe

Chegas-me nesse som de longe...
Odores que flutuam...
Sinto-os nas minhas mãos,
Roçam a minha alma...

Quisera ser palavra
Estar sempre na tua boca
Quem me dera ser inteira
Excessiva, audaz, louca

Como limite o intangível
Coração que não tem freio

Não há longe assim em nós
Pelo ar nos unimos.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Silêncio

Hoje não me apetecem palavras
Estou farta de palavras!

Quero falar com o silêncio
Ouvir o rumorejar dos meus pensamentos
o escoar das minhas mágoas

Quando bateres à minha porta
Interrogar-te-ei com o olhar

Não digas nada
...

Oa teus olhos saberão falar.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Chuva

Agora que a chuva veio e nos molhou
vimo-nos assim:
os nossos corpos revelados

os nossos olhos difusos
perdidos
saudosos do calor

Vem Tempo!
Sopra-nos...
desfolha o nosso íntimo

E as nossas penas serão
leves
breves
como o canto das aves do paraíso.