Agora que a chuva veio e nos molhou
vimo-nos assim:
os nossos corpos revelados
os nossos olhos difusos
perdidos
saudosos do calor
Vem Tempo!
Sopra-nos...
desfolha o nosso íntimo
E as nossas penas serão
leves
breves
como o canto das aves do paraíso.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Prosa
Hoje apetecem-me frases corridas, hoje os versos parecem-me pequenos para levarem tudo o que sinto, hoje apetece-me falar da vida;
Hoje apetece-me dizer que gosto de me levantar e ficar um pouco no silêncio a ouvir a rua lá fora a mexer, enquanto eu me preparo para a enfrentar;
Hoje apetece-me dizer que é muito bom sentir que é só mais um dia e que amanhã vem outro em que poderei desfazer o que menos bom acontecer, ou fazer melhor;
Hoje apetece-me dizer que aqueles morangos vermelhos que tenho ali na cozinha exalam um cheiro fabuloso e que logo, quando entrar em casa e sentir o meu reduto, me deliciarei a comê-los e pensarei em como sou afortunada;
Hoje apetece-me dizer que os meus filhos já sairam e deixaram tudo desarrumado, mas que é bom senti-los algures, a crescerem, a serem aquilo que são, uns seres humanos fabulosos e agradecer cada dia que me é dado com eles;
Hoje apetece-me dizer que o que é banal e comezinho encerra a essência da nossa vida ...
Hoje apetece-me dizer que no nosso olhar sobre o mundo está o segredo das coisas, hoje apetece-me que a água escorra dos meus olhos e lave as mágoas porque às vezes faz bem e tudo fica mais claro.
Hoje vou viver, porque gosto, porque amanhã não sei...
Hoje apetece-me dizer que gosto de me levantar e ficar um pouco no silêncio a ouvir a rua lá fora a mexer, enquanto eu me preparo para a enfrentar;
Hoje apetece-me dizer que é muito bom sentir que é só mais um dia e que amanhã vem outro em que poderei desfazer o que menos bom acontecer, ou fazer melhor;
Hoje apetece-me dizer que aqueles morangos vermelhos que tenho ali na cozinha exalam um cheiro fabuloso e que logo, quando entrar em casa e sentir o meu reduto, me deliciarei a comê-los e pensarei em como sou afortunada;
Hoje apetece-me dizer que os meus filhos já sairam e deixaram tudo desarrumado, mas que é bom senti-los algures, a crescerem, a serem aquilo que são, uns seres humanos fabulosos e agradecer cada dia que me é dado com eles;
Hoje apetece-me dizer que o que é banal e comezinho encerra a essência da nossa vida ...
Hoje apetece-me dizer que no nosso olhar sobre o mundo está o segredo das coisas, hoje apetece-me que a água escorra dos meus olhos e lave as mágoas porque às vezes faz bem e tudo fica mais claro.
Hoje vou viver, porque gosto, porque amanhã não sei...
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Quadras imperfeitas
No correr dos dias seguidos
cinzentos nos movemos
guiados pelos sentidos
sedentos do que não temos
permanente insatisfação
que nos inquina os dias
cegos ao que nos dão
surdos a melodias
dias assim, de estagnação
em que tudo parece baço
em que tudo parece vão
em que questiono o que faço.
cinzentos nos movemos
guiados pelos sentidos
sedentos do que não temos
permanente insatisfação
que nos inquina os dias
cegos ao que nos dão
surdos a melodias
dias assim, de estagnação
em que tudo parece baço
em que tudo parece vão
em que questiono o que faço.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Abrigo-te
por entre as lembranças do sol
guardadas na pela morena
por entre o calor dos beijos
guardados no meu pensamento
sou pólen na tua primavera
gota límpida nesta vidraça
perfume na tua alfombra
brisa leve que passa
no mapa do teu sentir
deixa-me ser aldeia
casa de branco caiada
alpendre voltado ao sul
janela de azul
onde o teu coração abrigado
se espraia...
Fica-me ao fim da tarde,
por entre os hibiscos e as cerejas
entre os risos e as palavras
entre os beijos comungados,
murmuro...
Somos presente e passado
Somos seiva, sémen, sílaba
Na casa dos antepassados
Sabemo-nos a futuro.
guardadas na pela morena
por entre o calor dos beijos
guardados no meu pensamento
sou pólen na tua primavera
gota límpida nesta vidraça
perfume na tua alfombra
brisa leve que passa
no mapa do teu sentir
deixa-me ser aldeia
casa de branco caiada
alpendre voltado ao sul
janela de azul
onde o teu coração abrigado
se espraia...
Fica-me ao fim da tarde,
por entre os hibiscos e as cerejas
entre os risos e as palavras
entre os beijos comungados,
murmuro...
Somos presente e passado
Somos seiva, sémen, sílaba
Na casa dos antepassados
Sabemo-nos a futuro.
terça-feira, 20 de maio de 2008
Abrigo
Deixa-me dizer-te
da chuva que cai miúda
sobre o meu coração
deixa-me contar-te
da torrente
que passa
deixa-me narrar-te
a história
que me contaste ao ouvido...
És chuva no meu sequeiro
calor no meu Inverno
És e abrigas-me.
da chuva que cai miúda
sobre o meu coração
deixa-me contar-te
da torrente
que passa
deixa-me narrar-te
a história
que me contaste ao ouvido...
És chuva no meu sequeiro
calor no meu Inverno
És e abrigas-me.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Farol
no meio da multidão
no labirinto da vida
perco-me em mim
espero um sinal
espraio a vista
na busca de um farol
que me alumie
que me mostre os escolhos
se me apareceres hoje
no meio da multidão
reconhecer-te-ei
ver-me-ei reflectida
no farol dos teus olhos
e guiar-me-ás
em ti
leme de mim
leme de nós.
no labirinto da vida
perco-me em mim
espero um sinal
espraio a vista
na busca de um farol
que me alumie
que me mostre os escolhos
se me apareceres hoje
no meio da multidão
reconhecer-te-ei
ver-me-ei reflectida
no farol dos teus olhos
e guiar-me-ás
em ti
leme de mim
leme de nós.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Partida
Era uma dia como os outros
Era uma vida como as outras
Sempre tudo tão igual...
Quem me leva?
Levem-me de férias de mim...
Já quase me não suporto
longe ganharei saudades
e quando me encontrar comigo
sentirei aquele vago contentamento
do reencontro com alguém querido
mas que passamos bem sem ver
esta vaga tristeza,
este estar alheio ao bem
voltarão....
Era uma vida como as outras
Sempre tudo tão igual...
Quem me leva?
Levem-me de férias de mim...
Já quase me não suporto
longe ganharei saudades
e quando me encontrar comigo
sentirei aquele vago contentamento
do reencontro com alguém querido
mas que passamos bem sem ver
esta vaga tristeza,
este estar alheio ao bem
voltarão....
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