domingo, 27 de abril de 2008

Love Story

Conta-me histórias... O que eu gosto das tuas histórias! Conta-me como só tu sabes contar, com a voz calma e a tua respiração entrecortada, os olhos nos meus a contar o resto que não cabe nas palavras. Era uma vez um homem, uma mulher... As histórias são todas tão iguais, os sentimentos sempre os mesmos... O amor, a alegria, os beijos, os desencontros, as inseguranças...










Diz-me que no fim ficaram juntos e foram felizes para sempre enquanto durou...

sábado, 19 de abril de 2008

Viagem

As marés
que vão e tornam
trazem coisas sem fim

Gosto desse movimento incessante
dessas vagas ancestrais
pela praia encontro tesouros
conchas, tábuas, cordas, metais...

No meio do nada
que é muito
procuro tesouros, miragens
espeto uma vela no coração
inicio a minha viagem

na linha do horizonte
comigo por companhia
aspiro a ser água
saibo-me a maresia

Nesta navegação
em mim,
na busca do que nem sei

a brisa traz-me um aroma
prende-me um olhar náufrago

Chegas... Sabes a mar, a descoberta...
És concha, tábua, metal, corda?

Esqueço as definições
não me preocupa o porvir
Embarco nesta viagem

Não quero mapa, nem âncora

O meu leme é só sentir.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Manhã

Gosto deste sol matinal e deste cheiro a pólen
que invade o ar...
Cheira a vida, a regeneração
Cheira-me a ti

Chegaste assim, curioso, a medo,
e eu colhia flores, distraída,
não te senti chegar

Talvez uma sílaba te tenha anunciado
Talvez um quebrar de galhos
Talvez um aroma, uma sombra...

Vê como o sol faz abrir estas flores
Vê como morrerão amanhã
Exangues da sua beleza

Mas o seu reinado foi glorioso
na sua plenitude
exalaram o seu pólen
deslumbraram com as suas cores
adornaram-nos

Vê como há reinados
que valem a pena
por muito curtos que possam ser...

E há reinados que se perpetuam
aromas que permanecem
pólen que fecunda.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Além… onde passa aquela nuvem
tudo parece bem…

Sigo-a com o olhar,
imagino o seu caminho
neste silêncio solar

Tanto carro que passa
Tanta gente sempre a correr
Por mais coisas que faça
há sempre algo a prender

Se fosse aquela nuvem
e dormisse no céu
Teria uma estrada de vento
Seguiria o meu pensamento
Ao sabor daquilo que é só meu

Nesse voo desmesurado
Com o sonho a comandar
Sentir sempre não é demasiado!

Irene

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Adeus

Hoje não é um dia qualquer.
É especial
Se procurar no meu calendário
Cada dia tem sua efeméride

Tanta coisa aconteceu hoje
Chuvas diluvianas
Gente nasceu, gente morreu
Gente saiu de casa trabalhar e regressou

Este também será único…
Saíste… E não sei se regressas…
Tens lugar marcado na minha pele
Cheiro cativo em mim.

No calendário da minha alma não há Outono
Que arranque as tuas folhas…
Quando do teu aroma nada ficar…
Folhear-te-ei
E desprender-se-á um rumor de beijos, risos, olhares…

Irene

Chuva

Sinto a chuva
Vejo-a na minha janela
E solto o pensamento

Deixo-o ir
para outros dias de chuva
Tantos dias que eu já vivi!

Uns perderam-se
no tempo dos dias sem marca
Outros ficaram aqui:

O dia em que dancei à chuva, de braços abertos
o sol me secou e senti que podiam nascer em mim
todas as plantas raras do mundo
O dia em que a chuva nos ouviu.

Irene

domingo, 6 de abril de 2008

Trilogia

Vou
Leva-me!
Porque partem sempre para onde não posso ir?
Leva-me!
Na tua mala
No teu coração
Numa prega da tua alma
Num recanto mais escondido
Num sítio onde te cheire
E onde me sintas

Ao alcance do pensamento
Onde esbarres comigo

Mesmo que não queiras.



Vem
Vem
Não vês que te espero há tanto tempo?
Não vês que no meu mundo há um lugar para ti?

Pensado à medida
dos teus dedos
do teu riso
da tua pele

Espero-te aqui no cais
com flores de água
abraços de vento
E o meu vestido preto

Vem conhecer o teu lugar
em mim …
Sente o linho, o alecrim, a seiva

Deixa o teu olhar
chegar ao meu.
Depois o meu mundo será onde
me avistares.



Ponto de Encontro
Sempre a mesma coisa.
O mesmo desencontro.
O mesmo desencanto

Que raio de busca esta!

Sinto este sol
que me requenta
Aspiro a sorte de ser eu
mas não vamos na mesma rua…

Muda de mapa!
Assinala-me aí…
Não digas que sou grande demais
Nem que destoo da paisagem…

Deixa-me guiar-te
Agarro os teus dedos
Traço o caminho…
Vês ali aquela flor?
Ombro no ombro
Pele na pele
Odor teu em mim

Vês?
Afinal há cruzamentos…

Irene