Sinto a chuva
Vejo-a na minha janela
E solto o pensamento
Deixo-o ir
para outros dias de chuva
Tantos dias que eu já vivi!
Uns perderam-se
no tempo dos dias sem marca
Outros ficaram aqui:
O dia em que dancei à chuva, de braços abertos
o sol me secou e senti que podiam nascer em mim
todas as plantas raras do mundo
O dia em que a chuva nos ouviu.
Irene
quarta-feira, 9 de abril de 2008
domingo, 6 de abril de 2008
Trilogia
Vou
Leva-me!
Porque partem sempre para onde não posso ir?
Leva-me!
Na tua mala
No teu coração
Numa prega da tua alma
Num recanto mais escondido
Num sítio onde te cheire
E onde me sintas
Ao alcance do pensamento
Onde esbarres comigo
Mesmo que não queiras.
Vem
Vem
Não vês que te espero há tanto tempo?
Não vês que no meu mundo há um lugar para ti?
Pensado à medida
dos teus dedos
do teu riso
da tua pele
Espero-te aqui no cais
com flores de água
abraços de vento
E o meu vestido preto
Vem conhecer o teu lugar
em mim …
Sente o linho, o alecrim, a seiva
Deixa o teu olhar
chegar ao meu.
Depois o meu mundo será onde
me avistares.
Ponto de Encontro
Sempre a mesma coisa.
O mesmo desencontro.
O mesmo desencanto
Que raio de busca esta!
Sinto este sol
que me requenta
Aspiro a sorte de ser eu
mas não vamos na mesma rua…
Muda de mapa!
Assinala-me aí…
Não digas que sou grande demais
Nem que destoo da paisagem…
Deixa-me guiar-te
Agarro os teus dedos
Traço o caminho…
Vês ali aquela flor?
Ombro no ombro
Pele na pele
Odor teu em mim
Vês?
Afinal há cruzamentos…
Irene
Leva-me!
Porque partem sempre para onde não posso ir?
Leva-me!
Na tua mala
No teu coração
Numa prega da tua alma
Num recanto mais escondido
Num sítio onde te cheire
E onde me sintas
Ao alcance do pensamento
Onde esbarres comigo
Mesmo que não queiras.
Vem
Vem
Não vês que te espero há tanto tempo?
Não vês que no meu mundo há um lugar para ti?
Pensado à medida
dos teus dedos
do teu riso
da tua pele
Espero-te aqui no cais
com flores de água
abraços de vento
E o meu vestido preto
Vem conhecer o teu lugar
em mim …
Sente o linho, o alecrim, a seiva
Deixa o teu olhar
chegar ao meu.
Depois o meu mundo será onde
me avistares.
Ponto de Encontro
Sempre a mesma coisa.
O mesmo desencontro.
O mesmo desencanto
Que raio de busca esta!
Sinto este sol
que me requenta
Aspiro a sorte de ser eu
mas não vamos na mesma rua…
Muda de mapa!
Assinala-me aí…
Não digas que sou grande demais
Nem que destoo da paisagem…
Deixa-me guiar-te
Agarro os teus dedos
Traço o caminho…
Vês ali aquela flor?
Ombro no ombro
Pele na pele
Odor teu em mim
Vês?
Afinal há cruzamentos…
Irene
sábado, 5 de abril de 2008
Beijo
olhar-te na penumbra
sentir o teu cheiro
sentir o teu beijo antes de o receber
é saboreá-lo já
antecipá-lo
imaginá-lo
adiá-lo
até que
quando finalmente
os teus olhos se aproximam tanto
que desaparecem
e por fim..
recebo-te!
imagino e realizo
Não perguntes como beijo..
beija-me simplesmente.
Logo verás que a alma me sai pela boca
e que a tua me invade e te desbravo.
Irene
sentir o teu cheiro
sentir o teu beijo antes de o receber
é saboreá-lo já
antecipá-lo
imaginá-lo
adiá-lo
até que
quando finalmente
os teus olhos se aproximam tanto
que desaparecem
e por fim..
recebo-te!
imagino e realizo
Não perguntes como beijo..
beija-me simplesmente.
Logo verás que a alma me sai pela boca
e que a tua me invade e te desbravo.
Irene
Como raios no deserto em noites de luar
Antes de tocar teu corpo
já me tinhas seduzido
duas vezes
Uma como teu sorriso em fogo
outra
com teu olhar em riste
Quanto entrei em ti
de madrugada
foi apenas um gesto instinto
São assim os casamentos do Destino
como os raios no deserto
em noite de luar
Luís Gaspar
já me tinhas seduzido
duas vezes
Uma como teu sorriso em fogo
outra
com teu olhar em riste
Quanto entrei em ti
de madrugada
foi apenas um gesto instinto
São assim os casamentos do Destino
como os raios no deserto
em noite de luar
Luís Gaspar
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Amores, desencantos e afins
Dia de sol, Primavera, estação do ano associada ao desabrochar dos amores, aos enamoramentos, ao despertar dos sentidos.
Olhava para o meu castelo, (que me desculpem todas as pessoas que também têm um castelo, mas o meu é o mais lindo do mundo), vieram-me à memória contos de fadas, histórias de príncipes e princesas, felizes para sempre e com muitos filhos e pensei cá com os meus botões cada vez há menos disto!
Olho à minha volta, penso nas pessoas que conheço e as conclusões não são muito animadoras… Cada vez há mais gente a viver sozinha, tanta! Umas por opção, outras por contingências da vida.
E a quantidade de pessoas que, vivendo acompanhadas vivem sozinhas? A larga percentagem dos casamentos/relacionamentos de coabitação que conheço, nem digo números para não me acusarem de ser pessimista e porque não são fundados em nenhum estudo científico, vivem juntos por comodismo, por hábito, porque enfim, parece mal separarem-se, têm uns affaires fora dos relacionamentos e assim preenchem a necessidade de paixão e encanto.
Uma coisa é certa… Embora muitos não admitam, todos temos necessidade de alguém que nos preencha, que seja cúmplice, que partilhe aquele momento especial, em cujo olhar nos miramos e nos sentimos em casa, mesmo que não haja palavras. Esta partilha, nos dias de hoje, não implica necessariamente coabitação no mesmo espaço, as pessoas, (sobretudo as que já passaram por isso), perceberam que as rotinas, as monotonias são assassinas dos encantos e das paixões assim, independentes financeiramente, preferem ficar cada um no seu canto, partilhando o que de bom as une, não discutindo sobre a tampa da pasta de dentes ou a roupa no chão…
Esta procura da alma gémea, da metade da laranja acontece em todas as idades, classes sociais mas… Ao passo que na juventude se é menos exigente, à medida que se vai ficando mais maduro os requisitos vão sendo mais numerosos e difíceis de preencher… Como concluía uma das personagens de “ A Mulher Certa” de Sandor Marai, a pessoa certa, ideal não existe, no entanto é a busca desse ideal que nos preenche, que nos motiva e que dá sal à vida.
Olhava para o meu castelo, (que me desculpem todas as pessoas que também têm um castelo, mas o meu é o mais lindo do mundo), vieram-me à memória contos de fadas, histórias de príncipes e princesas, felizes para sempre e com muitos filhos e pensei cá com os meus botões cada vez há menos disto!
Olho à minha volta, penso nas pessoas que conheço e as conclusões não são muito animadoras… Cada vez há mais gente a viver sozinha, tanta! Umas por opção, outras por contingências da vida.
E a quantidade de pessoas que, vivendo acompanhadas vivem sozinhas? A larga percentagem dos casamentos/relacionamentos de coabitação que conheço, nem digo números para não me acusarem de ser pessimista e porque não são fundados em nenhum estudo científico, vivem juntos por comodismo, por hábito, porque enfim, parece mal separarem-se, têm uns affaires fora dos relacionamentos e assim preenchem a necessidade de paixão e encanto.
Uma coisa é certa… Embora muitos não admitam, todos temos necessidade de alguém que nos preencha, que seja cúmplice, que partilhe aquele momento especial, em cujo olhar nos miramos e nos sentimos em casa, mesmo que não haja palavras. Esta partilha, nos dias de hoje, não implica necessariamente coabitação no mesmo espaço, as pessoas, (sobretudo as que já passaram por isso), perceberam que as rotinas, as monotonias são assassinas dos encantos e das paixões assim, independentes financeiramente, preferem ficar cada um no seu canto, partilhando o que de bom as une, não discutindo sobre a tampa da pasta de dentes ou a roupa no chão…
Esta procura da alma gémea, da metade da laranja acontece em todas as idades, classes sociais mas… Ao passo que na juventude se é menos exigente, à medida que se vai ficando mais maduro os requisitos vão sendo mais numerosos e difíceis de preencher… Como concluía uma das personagens de “ A Mulher Certa” de Sandor Marai, a pessoa certa, ideal não existe, no entanto é a busca desse ideal que nos preenche, que nos motiva e que dá sal à vida.
Aquece
É Abril... E não há águas mil... Há este ar morno que nos invade, que nos aquece a alma, que nos impele para fora de casa, para a praia, para a natureza, onde se sente o aroma das flores recém desabrochadas e das folhas tenras.
Ontem fiz a minha caminhada na praia.. O que eu gosto destes dias em que a praia está óptima e deserta... Uma praia só para mim, a linha do horizonte apenas areia e mar revolto, as conchas por ali, nenhumas pegadas que não as minhas...
Sabem bem estes momentos em que, só com a natureza, com a sua magnificência, me reposiciono face ao mundo e aos outros, sinto o meu lugar e penso que, apesar de me não lembrar muitas vezes, sou uma ínfima porção deste universo imenso.
Ontem fiz a minha caminhada na praia.. O que eu gosto destes dias em que a praia está óptima e deserta... Uma praia só para mim, a linha do horizonte apenas areia e mar revolto, as conchas por ali, nenhumas pegadas que não as minhas...
Sabem bem estes momentos em que, só com a natureza, com a sua magnificência, me reposiciono face ao mundo e aos outros, sinto o meu lugar e penso que, apesar de me não lembrar muitas vezes, sou uma ínfima porção deste universo imenso.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Os que lutam
"Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis."
Bertold Brecht
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis."
Bertold Brecht
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