Não digas ao que vens. Deixa-me
adivinhar pelo pó nos teus cabelos
que vento te mandou. É longe atua casa?
Dou-te a minha: leio nos
teus olhos o cansaço do dia que te
venceu; e, no teu rosto, as sombras
contam-me o resto da viagem. Anda,
vem repousar os martírios da estrada
nas curvas do meu corpo - é um
destino sem dor e sem memória. Tens
sede? Sobra da tarde apenas uma
fatia de laranja - morde-a na minha
boca sem pedires.
Não, não me digas
quem és nem ao que vens. Decido eu.
Maria do Rosário Pedreira(a minha poetisa favorita)
domingo, 9 de março de 2008
sexta-feira, 7 de março de 2008
Dia da Mulher
Este é um comentário que alguém deixou ao meu texto anterior.. Mas é tão bonito que merece ficar na página principal...
"Cuida-te de fazer chorar uma mulher, pois Deus conta as suas lágrimas. A Mulher saiu da costela do Homem, não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas do seu lado para ser igual.Debaixo do coração para ser protegida e ao lado do coração, para ser Amada."
Do Talmud Hebreu
"Cuida-te de fazer chorar uma mulher, pois Deus conta as suas lágrimas. A Mulher saiu da costela do Homem, não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas do seu lado para ser igual.Debaixo do coração para ser protegida e ao lado do coração, para ser Amada."
Do Talmud Hebreu
Ser mulher
Ser mulher…
Amanhã é dia da mulher, embora não seja muito de comemorar as coisas nas datas marcadas e achar que sou mulher todos os dias e que também devia haver um dia do homem, hoje apetece-me seguir o mote.
Ser mulher é ter o privilégio imenso de gerar vida cá dentro, de a trazer em nós. Depois, cortado o cordão, sentir o laço que não mais se desfaz…
Ser mulher é sentir de outra forma, é olhar diferente, é resolver diferente, é ser forte.
Ser forte, não significa gritar para ser ouvida e para chamar. Não é "medir forças", "enfrentar", pois a nossa força está na persuasão. Ser forte é saber recuar, fortalecer-se, para então avançar com mais força, mais segurança, mais convicção e atingir o objectivo e assim vencer.
Vencer o quê? Vencer a batalha diária pela felicidade, pelo direito a beber em cada dia o melhor que ele tem, para que no meio da correria do trabalho, das roupas, da comida, possamos sentir o sol na pele, sentir aquele olhar especial que nos dirigem, ler a poesia de que gostamos.
À mulher é pedido muito, dela muito se espera…
Termino com uma citação…
“Superiores pelo amor, mais dispostas a subordinar a inteligência e a actividade ao sentimento, as mulheres constituem espontaneamente seres intermediários entre a Humanidade e os homens”
Auguste Comte
Amanhã é dia da mulher, embora não seja muito de comemorar as coisas nas datas marcadas e achar que sou mulher todos os dias e que também devia haver um dia do homem, hoje apetece-me seguir o mote.
Ser mulher é ter o privilégio imenso de gerar vida cá dentro, de a trazer em nós. Depois, cortado o cordão, sentir o laço que não mais se desfaz…
Ser mulher é sentir de outra forma, é olhar diferente, é resolver diferente, é ser forte.
Ser forte, não significa gritar para ser ouvida e para chamar. Não é "medir forças", "enfrentar", pois a nossa força está na persuasão. Ser forte é saber recuar, fortalecer-se, para então avançar com mais força, mais segurança, mais convicção e atingir o objectivo e assim vencer.
Vencer o quê? Vencer a batalha diária pela felicidade, pelo direito a beber em cada dia o melhor que ele tem, para que no meio da correria do trabalho, das roupas, da comida, possamos sentir o sol na pele, sentir aquele olhar especial que nos dirigem, ler a poesia de que gostamos.
À mulher é pedido muito, dela muito se espera…
Termino com uma citação…
“Superiores pelo amor, mais dispostas a subordinar a inteligência e a actividade ao sentimento, as mulheres constituem espontaneamente seres intermediários entre a Humanidade e os homens”
Auguste Comte
quinta-feira, 6 de março de 2008
Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia
e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez,
te reconheças.
Miguel Torga, Diário XIII
Se puderes,
Sem angústia
e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez,
te reconheças.
Miguel Torga, Diário XIII
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Cântico de Sangue
Se é certa, como dizes,
Ser chegada a hora vil de partir,
Certo é também, o momento em que fico aqui,
A admirar-te,
A absorver-te.
Há um lapso curvo e sideral no tempo
Onde me perco,
Onde a tua língua confunde os meus sentidos.
E, neste solene engano
Sobe por mim acima,
A vontade de remendar-te.
Ressoa implacavelmente,
Teu fino e acutilante timbre.
Quer rasgar,
Quer romper.
Hoje, elevo-me à indiferença,
E, quem na realidade bebe sangue,
Sou eu.
Retirado do Moleskine por Narrador
www.doalpendredestacasa.blogspot.com
Ser chegada a hora vil de partir,
Certo é também, o momento em que fico aqui,
A admirar-te,
A absorver-te.
Há um lapso curvo e sideral no tempo
Onde me perco,
Onde a tua língua confunde os meus sentidos.
E, neste solene engano
Sobe por mim acima,
A vontade de remendar-te.
Ressoa implacavelmente,
Teu fino e acutilante timbre.
Quer rasgar,
Quer romper.
Hoje, elevo-me à indiferença,
E, quem na realidade bebe sangue,
Sou eu.
Retirado do Moleskine por Narrador
www.doalpendredestacasa.blogspot.com
Palavras
Andei indecisa quanto ao tema da crónica… Esteve sempre debaixo do meu nariz, na ponta dos meus dedos, nas palavras que todos os dias digo, escrevo e leio.
Pelas palavras vos chego, pelas palavras me exponho em cada semana. E pelas palavras me descobrem, pela maneira como as escolho, como as associo, como as faço transmitir aquilo que sinto e sou.
Dias há em que palavra nenhuma parece ser boa para nos traduzir, para nos conduzir onde queremos e precisamos do nosso silêncio para nos apaziguar, para nos organizar cá dentro as sílabas e não as deixar sair até que estejam maduras.
E o segredo do nosso sucesso reside na maneira como usamos as palavras, como as entrelaçamos, como as fazemos chegar aos outros. Podem ser porto de abrigo as nossas palavras e acolhe-los nas suas tempestades e serem agasalho, serem luz. Também podem ser punhais, como dizia o poeta, deixamo-las sair, como setas, por vezes atiramo-las, e elas batem em alguém, machucam, deixam marcas.
Geri-las de forma inteligente é o sonho de todos, uns porque falam demais, outros de menos, outros porque as palavras se lhes entaramelam na boca e parecem nunca corresponder àquilo que sentem e o abismo entre o dizer e o sentir é intransponível.
E depois há aquelas pessoas que comunicam sem palavras, que basta um olhar para tudo se saber, tudo se sentir.
Já disse coisas de que me arrependi, já me arrependi de não ter dito outras, como todos nós. Há dias em que falo como uma “matraca”, há dias em que necessito dos meus silêncios, para me desintoxicar, para organizar cá dentro a profusão de palavras com que diariamente somos bombardeados.
Palavra e silêncio…
Pelas palavras vos chego, pelas palavras me exponho em cada semana. E pelas palavras me descobrem, pela maneira como as escolho, como as associo, como as faço transmitir aquilo que sinto e sou.
Dias há em que palavra nenhuma parece ser boa para nos traduzir, para nos conduzir onde queremos e precisamos do nosso silêncio para nos apaziguar, para nos organizar cá dentro as sílabas e não as deixar sair até que estejam maduras.
E o segredo do nosso sucesso reside na maneira como usamos as palavras, como as entrelaçamos, como as fazemos chegar aos outros. Podem ser porto de abrigo as nossas palavras e acolhe-los nas suas tempestades e serem agasalho, serem luz. Também podem ser punhais, como dizia o poeta, deixamo-las sair, como setas, por vezes atiramo-las, e elas batem em alguém, machucam, deixam marcas.
Geri-las de forma inteligente é o sonho de todos, uns porque falam demais, outros de menos, outros porque as palavras se lhes entaramelam na boca e parecem nunca corresponder àquilo que sentem e o abismo entre o dizer e o sentir é intransponível.
E depois há aquelas pessoas que comunicam sem palavras, que basta um olhar para tudo se saber, tudo se sentir.
Já disse coisas de que me arrependi, já me arrependi de não ter dito outras, como todos nós. Há dias em que falo como uma “matraca”, há dias em que necessito dos meus silêncios, para me desintoxicar, para organizar cá dentro a profusão de palavras com que diariamente somos bombardeados.
Palavra e silêncio…
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Ne varietur
(um barco encalhado
na espuma do mar)
um silêncio furtado
na pressa de um olhar
(o teu ventre um abrigo
o teu peito um farol)
és campo de trigo
amadurecido ao Sol
escrito por Alexandre #
http://www.alexandre-monteiro.blogspot.com
na espuma do mar)
um silêncio furtado
na pressa de um olhar
(o teu ventre um abrigo
o teu peito um farol)
és campo de trigo
amadurecido ao Sol
escrito por Alexandre #
http://www.alexandre-monteiro.blogspot.com
Subscrever:
Mensagens (Atom)