(recreação sobre o poema com o mesmo título da autoria de Frederico Nietzsche)
Tu e eu, dois navios,
ocasionalmente aportados neste mesmo cais.
Nossos diários de bordo indicam
como pesa diferente
a carga que transportamos.
Como são opostos os destinos,
porventura é diferente também,
a forma como beijamos e acariciamos
as águas que nos sustentam.
Entre velhos lobos
neste mar das tormentas de nós,
há um código de amizade,
feito amor, feito abraço, solidariedade.
Há sinais por sobre as ondas,
silvos de entendimento,
âncoras de compreensão.
E mesmo que esteja escrito
que nossos navios seguem diferentes rumos,
suponhamos generosamente
que deus existe,
e criou uma estrela longínqua e brilhante,
que velará sobre nós
a atracção magnética
de uma amizade estelar.*
RAÍZ DE LADO NENHUM, Ed. «Tribuna do Algarve», Lagoa, 1992, pág.46
José Mendes Bota nasceu, em Loulé, em 4 de Agosto de 1955. É Licenciado em Economia, desempenhando actualmente o cargo de deputado à Assembleia da República e Presidente da Comissão Política Distrital do PSD de Faro. Entre as obras publicadas destacamos, no campo da poesia, Triângulos de Desespero (1987) e Raiz de Lado Nenhum (1992), e, no domínio da regionalização, Uma Voz do Sul na Europa (1994).
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Vem lá a Primavera
Gosto de todas as estações do ano, a cada uma os seus encantos. Quando chegam, eu recebo-as com um sabor de novidade que se renova a cada ano, um prazer virginal em saborear as diferenças que a natureza nos proporciona.
A Primavera é, porém, especial, a minha chegada a este mundo está relacionada com ela por isso existirá sempre entre nós uma afinidade íntima, quase um laço de sangue.
Gosto deste cheiro a Primavera, deste sentir que a natureza se renova, destas temperaturas mais tépidas, do aligeirar das roupas, do cheiro do polén no ar.
Há uma promessa de regeneração...
A Primavera é, porém, especial, a minha chegada a este mundo está relacionada com ela por isso existirá sempre entre nós uma afinidade íntima, quase um laço de sangue.
Gosto deste cheiro a Primavera, deste sentir que a natureza se renova, destas temperaturas mais tépidas, do aligeirar das roupas, do cheiro do polén no ar.
Há uma promessa de regeneração...
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Morangos com Chantilly
É oficial! Eu andava a adiar a coisa, mas... não resisti ! Abriu a época do morango com chantilly em minha casa. É que esta época antecede a da preparação para o bikini e as duas colidem um pouco, mas há prazeres a que não se resiste.
Portanto hoje lá segui o ritual: comprei uns morangos bem vermelhos, bem brilhantes, bem com ar "come-me", um pacote de natas frescas. Bati as natas, juntei uma porção de açúcar (grande), lavei os morangos, cortei-os.
Bem... Agora imaginem-me de frente para o meu castelo, a teclar e a deliciar-me... São pequenos prazeres que nos enchem de bem estar!
Portanto hoje lá segui o ritual: comprei uns morangos bem vermelhos, bem brilhantes, bem com ar "come-me", um pacote de natas frescas. Bati as natas, juntei uma porção de açúcar (grande), lavei os morangos, cortei-os.
Bem... Agora imaginem-me de frente para o meu castelo, a teclar e a deliciar-me... São pequenos prazeres que nos enchem de bem estar!
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Raio de Sol
Está cinzento e chove e o meu castelo parece tristonho através das gotas de água... Mas o sol há um bocado brilhou e pareceu indicar que, mesmo nos dias mais cinzentos há sempre um raio de sol para nos alegrar, para nos mostrar o caminho, à laia de estrela dos reis magos.
E depois, se não houver raio de sol e hesitarmos no caminho, podemos sempre seguir o conselho da Susanna Tamaro:
"Quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não te metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar."
E depois, se não houver raio de sol e hesitarmos no caminho, podemos sempre seguir o conselho da Susanna Tamaro:
"Quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não te metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar."
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Alerta Amarelo
De acordo com a previsão meteorológica hoje estamos em alerta amarelo... Chuva, vento, tempestades. Sabe-me bem hoje. Estamos em consonância.
Pode ser que, no meio das nuvens, por entre uma aberta, um raio de sol brilhe e venha direitinho a mim.
Pode ser que, no meio das nuvens, por entre uma aberta, um raio de sol brilhe e venha direitinho a mim.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Blogosfera
Confesso que já me era difícil passar sem a Internet, quando há qualquer problema com a net, fica assim tudo meio estranho cá em casa, tipo quando falta a água e a luz… Lembra-me que aqui há uns anos fiz uma viagem à Amazónia, a Porto de Mós do Brasil, entre outras terras, e ao visitar uma freguesia, que ficava à beira do rio Xingu, toda a gente se surpreendeu em como era possível, viver ali, na beira do rio, sem luz eléctrica, telefone, televisão, essas coisas que para nós são indispensáveis e na altura um dos anfitriões disse “a gente não sente falta do que nunca teve” e de facto assim é.
Todos os dias gosto de abrir os meus e-mails, falar no Messenger se tenho mais tempo e, sobretudo, consultar os meus blogues favoritos. Antigamente era muito difícil para quem gostasse de escrever ou opinar sobre os mais variados assuntos, partilhá-lo com alguém mais que o seu grupo restrito de amigos, hoje a Internet abre-nos a possibilidade de aceder ao mundo que cada um nos quer mostrar.
Deste modo há blogues para todos os gostos, e eu sou muito eclética nesse campo. Gosto de blogues ligados à política, sobretudo aqueles que dizem respeito à minha terra; gosto de blogues de poesia como o www.daspalavrasquenosunem.blogspot.com; de escrita mais intimista, como o www.umamoratrevido.blogspot.com; de crítica social e política www.31daarmada.blogs.sapo.pt e www.marretas.blogspot.com; depois há uns blogues com que me divirto muito: o do professor Júlio Machado Vaz www.murcon.blogspot.com; o www.internofeminino.blogs.sapo.pt, e o www.cenasdegaja.blogs.sapo.pt (este último a partir do qual já existem dois livros publicados, aborda o relacionamento homem/mulher, não é aconselhável a pessoas mais sensíveis, usa linguagem eventualmente chocante).
Cada um no seu estilo, faz parte dos meus hábitos de leitura. Uns fazem-me pensar, outros sonhar e outros rir, alguns tudo ao mesmo tempo! Disponíveis para nos surpreendermos, estaremos disponíveis para aprender.
Todos os dias gosto de abrir os meus e-mails, falar no Messenger se tenho mais tempo e, sobretudo, consultar os meus blogues favoritos. Antigamente era muito difícil para quem gostasse de escrever ou opinar sobre os mais variados assuntos, partilhá-lo com alguém mais que o seu grupo restrito de amigos, hoje a Internet abre-nos a possibilidade de aceder ao mundo que cada um nos quer mostrar.
Deste modo há blogues para todos os gostos, e eu sou muito eclética nesse campo. Gosto de blogues ligados à política, sobretudo aqueles que dizem respeito à minha terra; gosto de blogues de poesia como o www.daspalavrasquenosunem.blogspot.com; de escrita mais intimista, como o www.umamoratrevido.blogspot.com; de crítica social e política www.31daarmada.blogs.sapo.pt e www.marretas.blogspot.com; depois há uns blogues com que me divirto muito: o do professor Júlio Machado Vaz www.murcon.blogspot.com; o www.internofeminino.blogs.sapo.pt, e o www.cenasdegaja.blogs.sapo.pt (este último a partir do qual já existem dois livros publicados, aborda o relacionamento homem/mulher, não é aconselhável a pessoas mais sensíveis, usa linguagem eventualmente chocante).
Cada um no seu estilo, faz parte dos meus hábitos de leitura. Uns fazem-me pensar, outros sonhar e outros rir, alguns tudo ao mesmo tempo! Disponíveis para nos surpreendermos, estaremos disponíveis para aprender.
Elogio ao Amor
Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em 'diálogo'. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam 'praticamente' apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do 'tá tudo bem, tudo bem', tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso 'dá lá um jeitinho sentimental'. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso.
Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A 'vidinha' é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não.Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
Miguel Esteves Cardoso (Crítico, escritor e destacado jornalista português, 1955- )
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em 'diálogo'. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam 'praticamente' apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do 'tá tudo bem, tudo bem', tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso 'dá lá um jeitinho sentimental'. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso.
Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A 'vidinha' é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não.Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
Miguel Esteves Cardoso (Crítico, escritor e destacado jornalista português, 1955- )
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