De acordo com a previsão meteorológica hoje estamos em alerta amarelo... Chuva, vento, tempestades. Sabe-me bem hoje. Estamos em consonância.
Pode ser que, no meio das nuvens, por entre uma aberta, um raio de sol brilhe e venha direitinho a mim.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Blogosfera
Confesso que já me era difícil passar sem a Internet, quando há qualquer problema com a net, fica assim tudo meio estranho cá em casa, tipo quando falta a água e a luz… Lembra-me que aqui há uns anos fiz uma viagem à Amazónia, a Porto de Mós do Brasil, entre outras terras, e ao visitar uma freguesia, que ficava à beira do rio Xingu, toda a gente se surpreendeu em como era possível, viver ali, na beira do rio, sem luz eléctrica, telefone, televisão, essas coisas que para nós são indispensáveis e na altura um dos anfitriões disse “a gente não sente falta do que nunca teve” e de facto assim é.
Todos os dias gosto de abrir os meus e-mails, falar no Messenger se tenho mais tempo e, sobretudo, consultar os meus blogues favoritos. Antigamente era muito difícil para quem gostasse de escrever ou opinar sobre os mais variados assuntos, partilhá-lo com alguém mais que o seu grupo restrito de amigos, hoje a Internet abre-nos a possibilidade de aceder ao mundo que cada um nos quer mostrar.
Deste modo há blogues para todos os gostos, e eu sou muito eclética nesse campo. Gosto de blogues ligados à política, sobretudo aqueles que dizem respeito à minha terra; gosto de blogues de poesia como o www.daspalavrasquenosunem.blogspot.com; de escrita mais intimista, como o www.umamoratrevido.blogspot.com; de crítica social e política www.31daarmada.blogs.sapo.pt e www.marretas.blogspot.com; depois há uns blogues com que me divirto muito: o do professor Júlio Machado Vaz www.murcon.blogspot.com; o www.internofeminino.blogs.sapo.pt, e o www.cenasdegaja.blogs.sapo.pt (este último a partir do qual já existem dois livros publicados, aborda o relacionamento homem/mulher, não é aconselhável a pessoas mais sensíveis, usa linguagem eventualmente chocante).
Cada um no seu estilo, faz parte dos meus hábitos de leitura. Uns fazem-me pensar, outros sonhar e outros rir, alguns tudo ao mesmo tempo! Disponíveis para nos surpreendermos, estaremos disponíveis para aprender.
Todos os dias gosto de abrir os meus e-mails, falar no Messenger se tenho mais tempo e, sobretudo, consultar os meus blogues favoritos. Antigamente era muito difícil para quem gostasse de escrever ou opinar sobre os mais variados assuntos, partilhá-lo com alguém mais que o seu grupo restrito de amigos, hoje a Internet abre-nos a possibilidade de aceder ao mundo que cada um nos quer mostrar.
Deste modo há blogues para todos os gostos, e eu sou muito eclética nesse campo. Gosto de blogues ligados à política, sobretudo aqueles que dizem respeito à minha terra; gosto de blogues de poesia como o www.daspalavrasquenosunem.blogspot.com; de escrita mais intimista, como o www.umamoratrevido.blogspot.com; de crítica social e política www.31daarmada.blogs.sapo.pt e www.marretas.blogspot.com; depois há uns blogues com que me divirto muito: o do professor Júlio Machado Vaz www.murcon.blogspot.com; o www.internofeminino.blogs.sapo.pt, e o www.cenasdegaja.blogs.sapo.pt (este último a partir do qual já existem dois livros publicados, aborda o relacionamento homem/mulher, não é aconselhável a pessoas mais sensíveis, usa linguagem eventualmente chocante).
Cada um no seu estilo, faz parte dos meus hábitos de leitura. Uns fazem-me pensar, outros sonhar e outros rir, alguns tudo ao mesmo tempo! Disponíveis para nos surpreendermos, estaremos disponíveis para aprender.
Elogio ao Amor
Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em 'diálogo'. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam 'praticamente' apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do 'tá tudo bem, tudo bem', tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso 'dá lá um jeitinho sentimental'. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso.
Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A 'vidinha' é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não.Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
Miguel Esteves Cardoso (Crítico, escritor e destacado jornalista português, 1955- )
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em 'diálogo'. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam 'praticamente' apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do 'tá tudo bem, tudo bem', tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso 'dá lá um jeitinho sentimental'. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso.
Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A 'vidinha' é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não.Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
Miguel Esteves Cardoso (Crítico, escritor e destacado jornalista português, 1955- )
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
POR AZAR ENQUANTO FAZIA ZAPPING
acertei na sic notícias e tava lá sua excelência o senhor engenheiro primeiro ministro a dar uma espécie de entrevista mas cá pra mim aquilo tava tudo combinado co home até levava uns cartõezinhos com números e estatísticas pra responder às "perguntas" dos entrevistadores que às vezes até faziam umas perguntas a fugir pró impertinente mas sempre dentro da maior elevação e não sei se já repararam que cheguei até aqui sem meter uma puta duma vírgula um ponto final ou mesmo um parágrafo e isto tudo pra dizer que foi um galo do caraças que o que eu queria mesmo ver era o csi mas fiquei a olhar praqueles canastrões e o que mais me impressionou foi que sua excelência o senhor engenheiro primeiro ministro parece mas parece mesmo que acredita naquilo que estava a dizer e há gente internada no júlio de matos e no magalhães lemos com uns sintomas parecidos.
ANIMAL
www.marretas.blogspot.com
ANIMAL
www.marretas.blogspot.com
Sabores
Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.
Eugénio de Andrade
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.
Eugénio de Andrade
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Iluminas-me. Emana de ti um calor que me cose o frio na barriga, quando te vejo ao longe e me rasgas o sorriso com uma precisão de bisturi. Então, refinam-se-me os sentidos e fico acutilante e desperta, a dar pelo cheiro a detergente nos umbrais, pelo brilho azulado da passadeira pintada de fresco, pelo vento aprisionado no redondo da praça e até por um milhafre perdido, que se debruça nas nuvens a tentar decifrar as copas nuas das árvores, os pespontos nos passeios, os fechos de correr das ruas. E o dia corre melhor. Gosto de te ter assim, como um sorvo rápido no intervalo dos dias ou a cigarrilha que te desaparece na boca enquanto me ouves ou finges: cabes-me na exacta medida desses poucos esplêndidos minutos. E gosto do à-vontade com que vês a minha vergonha dissolver-se lentamente no teu café. És promessa de escrita e o voo assarapantado das palavras dentro de mim, e só por isso valerias a pena. Às vezes, quando quase te pediria que ficasses, apetece-me guiar-te como se uma estrada secundária num princípio de Primavera e percorrer devagar as curvas do teu nariz que nunca cresceu. Há em ti um arremedo de tristeza que aposto se manifesta no escuro quando mais ninguém vê e que acrescenta em mim a vontade de te fazer festas e de te segredar intolerâncias ao ouvido, antes que descruzes as pernas, dobres o jornal e vás à tua vida. Iluminas, rasgas, aqueces, refinas, prometes, dissolves: um degrau lavado, uma lista branca, uma praça fechada sobre nós, a rapina de um bater de asas, uns minutos delicados, um passeio pelo teu corpo enquanto me mexes com a colher contra as paredes da tua chávena. E o dia corre melhor.
http://umamoratrevido.blogspot.com
http://umamoratrevido.blogspot.com
domingo, 10 de fevereiro de 2008
umamoratrevido.blogspot.com
Confessa que já deste por ti a desenroscar frascos de shampô nas prateleiras do supermercado a ver se me encontravas lá dentro e que depois os fechaste apressadamente para que ninguém te visse e te sentiste um parvo, um tolo. E que mesmo depois de te teres sentido tolo continuaste inquieto porque não me descortinaste em nenhum daqueles cheiros e eu explico-te porquê: é que uso um amaciador diferente a cada vez que lavo os cabelos, jojoba, camomila, flor de hera, e às vezes ponho um creme nas pontas que tem coco ou gérmen de trigo, já nem sei, e espalho no fim um perfume fresco, limonado, especialmente quando faz sol, e que tudo isto se misturou com o suor que então se me derrapava pelo pescoço, eram os nervos, e que o cheiro, aquele em que te embebeste quando me agarraste na cabeça e a puxaste para ti, não o encontras dentro de frasco algum (só em mim).
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