terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

POR AZAR ENQUANTO FAZIA ZAPPING

acertei na sic notícias e tava lá sua excelência o senhor engenheiro primeiro ministro a dar uma espécie de entrevista mas cá pra mim aquilo tava tudo combinado co home até levava uns cartõezinhos com números e estatísticas pra responder às "perguntas" dos entrevistadores que às vezes até faziam umas perguntas a fugir pró impertinente mas sempre dentro da maior elevação e não sei se já repararam que cheguei até aqui sem meter uma puta duma vírgula um ponto final ou mesmo um parágrafo e isto tudo pra dizer que foi um galo do caraças que o que eu queria mesmo ver era o csi mas fiquei a olhar praqueles canastrões e o que mais me impressionou foi que sua excelência o senhor engenheiro primeiro ministro parece mas parece mesmo que acredita naquilo que estava a dizer e há gente internada no júlio de matos e no magalhães lemos com uns sintomas parecidos.
ANIMAL

www.marretas.blogspot.com

Sabores

Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.


Eugénio de Andrade

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Iluminas-me. Emana de ti um calor que me cose o frio na barriga, quando te vejo ao longe e me rasgas o sorriso com uma precisão de bisturi. Então, refinam-se-me os sentidos e fico acutilante e desperta, a dar pelo cheiro a detergente nos umbrais, pelo brilho azulado da passadeira pintada de fresco, pelo vento aprisionado no redondo da praça e até por um milhafre perdido, que se debruça nas nuvens a tentar decifrar as copas nuas das árvores, os pespontos nos passeios, os fechos de correr das ruas. E o dia corre melhor. Gosto de te ter assim, como um sorvo rápido no intervalo dos dias ou a cigarrilha que te desaparece na boca enquanto me ouves ou finges: cabes-me na exacta medida desses poucos esplêndidos minutos. E gosto do à-vontade com que vês a minha vergonha dissolver-se lentamente no teu café. És promessa de escrita e o voo assarapantado das palavras dentro de mim, e só por isso valerias a pena. Às vezes, quando quase te pediria que ficasses, apetece-me guiar-te como se uma estrada secundária num princípio de Primavera e percorrer devagar as curvas do teu nariz que nunca cresceu. Há em ti um arremedo de tristeza que aposto se manifesta no escuro quando mais ninguém vê e que acrescenta em mim a vontade de te fazer festas e de te segredar intolerâncias ao ouvido, antes que descruzes as pernas, dobres o jornal e vás à tua vida. Iluminas, rasgas, aqueces, refinas, prometes, dissolves: um degrau lavado, uma lista branca, uma praça fechada sobre nós, a rapina de um bater de asas, uns minutos delicados, um passeio pelo teu corpo enquanto me mexes com a colher contra as paredes da tua chávena. E o dia corre melhor.


http://umamoratrevido.blogspot.com

domingo, 10 de fevereiro de 2008

umamoratrevido.blogspot.com

Confessa que já deste por ti a desenroscar frascos de shampô nas prateleiras do supermercado a ver se me encontravas lá dentro e que depois os fechaste apressadamente para que ninguém te visse e te sentiste um parvo, um tolo. E que mesmo depois de te teres sentido tolo continuaste inquieto porque não me descortinaste em nenhum daqueles cheiros e eu explico-te porquê: é que uso um amaciador diferente a cada vez que lavo os cabelos, jojoba, camomila, flor de hera, e às vezes ponho um creme nas pontas que tem coco ou gérmen de trigo, já nem sei, e espalho no fim um perfume fresco, limonado, especialmente quando faz sol, e que tudo isto se misturou com o suor que então se me derrapava pelo pescoço, eram os nervos, e que o cheiro, aquele em que te embebeste quando me agarraste na cabeça e a puxaste para ti, não o encontras dentro de frasco algum (só em mim).

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Nazaré - Autenticidade

Sermos nós, sermos genuínos é algo que vale a pena, que nos faz sentir bem, que nos posiciona no nosso lugar perante o mundo e os outros. Quem anda sempre a tentar ser o que não é ou a imitar os outros porque está na moda, ou por outros motivos, persegue uma quimera e nunca se sentirá bem ou terá os resultados pretendidos porque não dá a bota com a perdigota.
Estas frases valem não só para cada um de nós enquanto indivíduos, mas também para todos nós enquanto membros que integram grupos, regiões, um país e vêm a propósito do Carnaval, época que acabámos de viver. Sempre gostei de Carnaval, não do Carnaval do samba, mas daquele que associo à minha infância, ao Entrudo, às roupas trapalhonas, ao andar mascarado de casa em casa, recebendo chouriça e ovos com os quais se faziam patuscadas. Por circunstâncias várias da vida, há muitos anos que não contactava com a folia carnavalesca, os desfiles dos corsos nunca me atraíram muito também.
Numa destas noites de Carnaval fui à Nazaré, a convite de amigos (o que seria de nós sem os amigos? Quantas coisas ficaríamos por saber ou descobrir se nos fechássemos aos outros e à partilha!) e fiquei realmente surpresa! Pela positiva!
Assisti a uma “cegada”( uma espécie de rábula ao estilo da revista portuguesa, representada pela população da Nazaré), fui ao baile do “Mar Alte”, dancei a noite inteira sem ouvir uma música brasileira e ri a bom rir com as letras das marchas que tocavam em todo lado com letras e músicas nazarenas. Estas letras são por si só um espectáculo, escritas ao jeito do falar nazareno, relatando situações típicas, muitas vezes com tom humorístico, bem… Adorei.
Graças a Deus que as modas e a globalização não chegam a todo lado e há gente que preserva as suas raízes e tradições. Parabéns às gentes da Nazaré, por serem assim, autênticos, bairristas, genuínos.
Para o ano volto… Agora vou recuperar os pés!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Máscaras

Escrevo esta crónica a entrar no fim-de-semana de Carnaval, altura de folias, festas, divertimentos e às vezes excessos.
Eu acho piada ao Carnaval, não ao Carnaval de imitação brasileira, acho ao nosso Entrudo, à sátira social, aos nossos mascarados. Na Mendiga usava-se o termo “encaraçar-se”, nestas alturas os sótãos e arcas das nossas mães ficavam uma confusão. Encaraçávamo-nos rente à noite, em grupo, depois íamos de casa em casa e o divertimento consistia nas tentativas de adivinhação por parte das pessoas que nos abriam a porta. Davam-nos chouriça, ovos e no fim do serão em casa de um de nós, fazíamos uma patuscada.
Há quem não goste nada de Carnaval, como há quem não goste de Natal, há quem diga “mascarado ando eu todo ano”, e o pior é que é mesmo assim! Há gente que anda disfarçada a maior parte dos seus dias, escondendo-se dos outros, mascarando a sua essência, mudando de máscara, consoante as conveniências e os objectivos a atingir. O que vale para quem os rodeia é que quarta-feira de cinzas acaba sempre por chegar, ainda que demore tempo e haja gente magoada pelo caminho. Já todos cruzámos com pessoas assim - Ecoponto com elas!
Para quem se mascara para fugir de si próprio é que não há Ecoponto que valha…
Do que eu me fui lembrar…
Esta crónica é cinza… Quaresma, sobriedade… Lembra-te que és pó…

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta aos seus discípulos:"Porque é que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?" "Gritamos porque perdemos a calma", disse um deles. "Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?" Questionou novamente o pensador."Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça", retrucou outro discípulo. E o mestre volta a perguntar:"Então não é possível falar-lhe em voz baixa?" Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.Então ele esclareceu: "Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?" O facto é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, os seus corações afastam-se muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para se ouvirem um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão apaixonadas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque os seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes os seus corações estão tão próximos, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer de sussurrar, apenas se olham, e basta. Os seus corações entendem-se. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas." Por fim, o pensador conclui, dizendo:"Quando vocês discutirem, não deixem que os vossos corações se afastem,não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta".

Mahatma Gandhi