Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaros, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa.
Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância.
Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Vinícius De Moraes
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
terça-feira, 13 de novembro de 2007
A menina dança?
Há coisas que, por mais que os anos passem e as modas evoluam nunca mudam, e uma delas é a necessidade que homem e mulher têm de se relacionar, de interagir…
A forma de entabular conhecimento é que tem vindo a mudar… Ainda me lembro daqueles anúncios da Crónica Feminina, que a minha mãe comprava todas as semanas, dos bailaricos de aldeia em que os rapazes convidavam as raparigas e assim se metia conversa, ou das saídas para as discotecas.
A internet é hoje o espaço privilegiado de encontros, conversas e namoros, destronando as formas tradicionais de estabelecer conhecimento. Nós estamos cada vez mais comodistas, mais absorvidos pelas nossas carreiras, profissões e falta de tempo, por isso quando chega ao fim do dia e finalmente chegamos exaustos a casa, em vez de sairmos bebermos um copo, lá nos sentamos com a nossa solidão frente ao computador e via msn, teclamos com os nossos amigos, colegas de trabalho, conhecidos, etc. Ou então podemos partir à descoberta de gente nova, cibernautas de nós, dos outros, dos sentimentos… À procura de algo que não se nomeia, mas que no fundo é comum a todos.
Assim proliferam sites de encontros, comunidades e, sobretudo, blogs, estes últimos das mais diversas naturezas… Sou uma leitora e comentadora assídua de alguns blogs, uns mais sérios, mais políticos, outros mais literários. Mas os blogs de mais sucesso, os que mais leitores cativam são aqueles que, dirigidos a homens ou mulheres, analisam as relações entre os dois sexos… Os textos que falam de amor, ciúme, traição, sexo são comentadíssimos e as opiniões aí expressas mostram que por mais que a técnica evolua não fugimos à nossa essência e que aquilo que é básico para nos sentirmos realizados como seres humanos não se altera…
A forma de entabular conhecimento é que tem vindo a mudar… Ainda me lembro daqueles anúncios da Crónica Feminina, que a minha mãe comprava todas as semanas, dos bailaricos de aldeia em que os rapazes convidavam as raparigas e assim se metia conversa, ou das saídas para as discotecas.
A internet é hoje o espaço privilegiado de encontros, conversas e namoros, destronando as formas tradicionais de estabelecer conhecimento. Nós estamos cada vez mais comodistas, mais absorvidos pelas nossas carreiras, profissões e falta de tempo, por isso quando chega ao fim do dia e finalmente chegamos exaustos a casa, em vez de sairmos bebermos um copo, lá nos sentamos com a nossa solidão frente ao computador e via msn, teclamos com os nossos amigos, colegas de trabalho, conhecidos, etc. Ou então podemos partir à descoberta de gente nova, cibernautas de nós, dos outros, dos sentimentos… À procura de algo que não se nomeia, mas que no fundo é comum a todos.
Assim proliferam sites de encontros, comunidades e, sobretudo, blogs, estes últimos das mais diversas naturezas… Sou uma leitora e comentadora assídua de alguns blogs, uns mais sérios, mais políticos, outros mais literários. Mas os blogs de mais sucesso, os que mais leitores cativam são aqueles que, dirigidos a homens ou mulheres, analisam as relações entre os dois sexos… Os textos que falam de amor, ciúme, traição, sexo são comentadíssimos e as opiniões aí expressas mostram que por mais que a técnica evolua não fugimos à nossa essência e que aquilo que é básico para nos sentirmos realizados como seres humanos não se altera…
Educação Sexual
Nunca, como hoje em dia, o sexo constituiu tanto tema de conversas, revistas, filmes, séries e programas.
Deixou de ser assunto sussurrado, mais ou menos secreto e veio para a luz do dia, democratizou-se.
Isto a propósito da tão propalada educação sexual nas escolas… Porque, que me perdoem os grandes estudiosos e os senhores professores doutores dos tais grupos que os governos vão criando, aí está quase tudo para fazer. Educação sexual não é ensinar o aparelho reprodutor! O ano passado, por pedido dos meus alunos, nas aulas de Formação Cívica, na faixa etária dos 13 anos e que sabiam o aparelho reprodutor na perfeição, vi-me na contingência de ter que elaborar um programa de educação sexual para responder às suas dúvidas e não encontrei nada oficial a que recorrer! Nem linhas orientadoras por ciclos, nem conteúdos mais adequados às diferentes idades, nada de concreto.
Guiei-me pelo bom senso, pesquisei, comprei livros, tirei dúvidas, ensinei a pôr o preservativo…
A semana passada perguntavam-me os do 9ºano… Setôra.. O que é o orgasmo? Quanto tempo é que dura? Porque é que há pessoas que não conseguem atingir? Eu já sou um pouco cota… No meu tempo não se falava disto, em parte nenhuma! E eu sou de letras, sem mestrado em sexologia ou qualquer formação específica na área…
Lá respondi, espero que bem. Sempre acrescento que foi das aulas mais bonitas que já tive… Passados os risinhos parvos do início e que disfarçavam o nervosismo deles aos colocar as perguntas porque nestas idades ninguém gosta de dar parte de fraco, quando eu comecei a responder, foi ver, num silêncio absoluto muitos pares de olhos a beber aquilo que dizia. E eu a pensar cá comigo… que grande responsabilidade! Muito maior que ensinar verbos…
Para quando um investimento sério na educação sexual que se traduza em algo de concreto no terreno?
Deixou de ser assunto sussurrado, mais ou menos secreto e veio para a luz do dia, democratizou-se.
Isto a propósito da tão propalada educação sexual nas escolas… Porque, que me perdoem os grandes estudiosos e os senhores professores doutores dos tais grupos que os governos vão criando, aí está quase tudo para fazer. Educação sexual não é ensinar o aparelho reprodutor! O ano passado, por pedido dos meus alunos, nas aulas de Formação Cívica, na faixa etária dos 13 anos e que sabiam o aparelho reprodutor na perfeição, vi-me na contingência de ter que elaborar um programa de educação sexual para responder às suas dúvidas e não encontrei nada oficial a que recorrer! Nem linhas orientadoras por ciclos, nem conteúdos mais adequados às diferentes idades, nada de concreto.
Guiei-me pelo bom senso, pesquisei, comprei livros, tirei dúvidas, ensinei a pôr o preservativo…
A semana passada perguntavam-me os do 9ºano… Setôra.. O que é o orgasmo? Quanto tempo é que dura? Porque é que há pessoas que não conseguem atingir? Eu já sou um pouco cota… No meu tempo não se falava disto, em parte nenhuma! E eu sou de letras, sem mestrado em sexologia ou qualquer formação específica na área…
Lá respondi, espero que bem. Sempre acrescento que foi das aulas mais bonitas que já tive… Passados os risinhos parvos do início e que disfarçavam o nervosismo deles aos colocar as perguntas porque nestas idades ninguém gosta de dar parte de fraco, quando eu comecei a responder, foi ver, num silêncio absoluto muitos pares de olhos a beber aquilo que dizia. E eu a pensar cá comigo… que grande responsabilidade! Muito maior que ensinar verbos…
Para quando um investimento sério na educação sexual que se traduza em algo de concreto no terreno?
domingo, 28 de outubro de 2007
Morre lentamente...
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.
Pablo Neruda
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.
Pablo Neruda
domingo, 21 de outubro de 2007
Mergulho...
Deixar a superfície, a segurança do pé assente no chão, a certeza da cabeça fora de água... E arriscar ir ao fundo... Descobrirmos as espécies mais raras, as plantas mais secretas, os odores mais recônditos...
Saborear os paladares marinhos, degustarmo-nos em cada descoberta... Ficar sem ar, deixarmo-nos levar pelas correntes! Sermos torrentes, turbilhão, voragem...Inebriados...
E voltar à tona... À paisagem familiar... à rotina, à segurança... Mas com um olhar diferente, um olhar de pérolas, algas, corais... No nariz um perfume que perdura... a sal que levamos nos olhos. Nas nossas vidas o ritmo das marés, a força das ondas, a influência das luas.
Mergulho.
Saborear os paladares marinhos, degustarmo-nos em cada descoberta... Ficar sem ar, deixarmo-nos levar pelas correntes! Sermos torrentes, turbilhão, voragem...Inebriados...
E voltar à tona... À paisagem familiar... à rotina, à segurança... Mas com um olhar diferente, um olhar de pérolas, algas, corais... No nariz um perfume que perdura... a sal que levamos nos olhos. Nas nossas vidas o ritmo das marés, a força das ondas, a influência das luas.
Mergulho.
Reflexão
Domingo à noite... Cá estou para escrever, conforme me tinha prometido e a quem gosta de me ler...
Este blog dá-me a possibilidade de escrever sobre aquilo que me apetece, quando me apetece. A escrita é um exercício recente na minha vida, não sou grande escritora, mas gosto de partilhar aquilo que sinto com as palavras que escolho. Outras vezes gosto de colocar textos que me agradam, de outros autores, deviadamente identificados.
Um blog desta natureza implica sempre uma exposição, revelarmos aos outros o nosso íntimo, numa partilha calculada de sentires e saberes... Por isso só comecei a escrever há pouco... Não estaria preparada antes, ainda não tinha vivido o suficiente, sofrido o suficiente, rido o suficiente...
Estou em contagem decrescente para os quarenta anos... E sinto-me muito bem na minha pele, com as minhas experiências... Com os meus erros que tanto me fizeram crescer e me ensinaram a ser mais tolerante, mais rica interiormente, mais aberta aos outros e ao mundo. Não quer dizer que viva em estado contemplativo e que tudo aceite! Não! Também me irrito, me entristeço, me indigno.. e não é pouco, sobretudo com a mesquinhez, a maldade, inveja! Então quando vêm de pesssoas de quem pouco esperei...
Não perdi ainda a capacidade de me surpreender... de me manter aberta à vida e ela não me tem falhado!
Este blog dá-me a possibilidade de escrever sobre aquilo que me apetece, quando me apetece. A escrita é um exercício recente na minha vida, não sou grande escritora, mas gosto de partilhar aquilo que sinto com as palavras que escolho. Outras vezes gosto de colocar textos que me agradam, de outros autores, deviadamente identificados.
Um blog desta natureza implica sempre uma exposição, revelarmos aos outros o nosso íntimo, numa partilha calculada de sentires e saberes... Por isso só comecei a escrever há pouco... Não estaria preparada antes, ainda não tinha vivido o suficiente, sofrido o suficiente, rido o suficiente...
Estou em contagem decrescente para os quarenta anos... E sinto-me muito bem na minha pele, com as minhas experiências... Com os meus erros que tanto me fizeram crescer e me ensinaram a ser mais tolerante, mais rica interiormente, mais aberta aos outros e ao mundo. Não quer dizer que viva em estado contemplativo e que tudo aceite! Não! Também me irrito, me entristeço, me indigno.. e não é pouco, sobretudo com a mesquinhez, a maldade, inveja! Então quando vêm de pesssoas de quem pouco esperei...
Não perdi ainda a capacidade de me surpreender... de me manter aberta à vida e ela não me tem falhado!
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Cais
Já aqui coloquei um texto sobre os amigos, logo no início. Hoje apeteceu-me voltar ao tema, por circunstâncias várias. Na altura falei que a nossa vida é como qualquer cais de embarque de passageiros: chegam e partem pessoas, mas algumas demoram-se. Gostam do que vêem, nós gostamos de quem chega e construímos a nossa casa comum onde voltamos sempre, ainda que viajemos muito.É preciso mantermos a porta da casa aberta, pode entrar gente que não interessa, mas no meio da multidão há sempre tesouros escondidos que enriquecerão a nossa vida.O problema é que nem sempre as partidas são pacíficas... Enquanto que as chegadas são momentos de alegria, de novidade, as partidas são muitas vezes sinónimo de perda, de dor, sobretudo quando sentimos que quem parte não regressará e porque normalmente os motivos da partida nos doem. Faz parte da vida e sabermos arrumar as ausências e o espaço de quem partiu, porque o terá sempre...é sinal de sabedoria e crescimento.
Importante é manter a porta aberta... Há tanta gente que nos enriquece, que é única... Todos somos únicos de alguma forma, na nossa diversidade. Por isso gosto de gente em geral... Por isso gosto de sair de casa em cada dia, porque todos os dias me surpreendo. Nem sempre as surpresas são boas, mas as más não lhe dou grande importância... Vão para a reciclagem... As boas dão cor aos meus dias e fazem-me sentir muito bem por respirar.
É manhã... Respiras, acordas e eu sinto.
Importante é manter a porta aberta... Há tanta gente que nos enriquece, que é única... Todos somos únicos de alguma forma, na nossa diversidade. Por isso gosto de gente em geral... Por isso gosto de sair de casa em cada dia, porque todos os dias me surpreendo. Nem sempre as surpresas são boas, mas as más não lhe dou grande importância... Vão para a reciclagem... As boas dão cor aos meus dias e fazem-me sentir muito bem por respirar.
É manhã... Respiras, acordas e eu sinto.
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