sexta-feira, 28 de setembro de 2007

No meu castelo..

Tenho a sorte de escrever voltada para o meu castelo, o mais lindo do mundo e poder imaginar histórias de princípes, princesas, corcéis, batalhas.. mas mesmo que da minha janela se não visse o castelo e para quem não tem um castelo à vista... O nosso castelo é onde quisermos... A nossa fortaleza, aquela onde nos recolhemos, onde carpimos as mágoas, onde vestimos as nossas armaduras para enfrentarmos o mundo, onde nos despimos e somos apenas nós, protegidos pelas ameias. Às vezes construímos ameias tão altas que ninguém se aproxima da nossa fortaleza e armadilhas... E às vezes há quem passe e chega a nós com notícias de países e sentires longínquos e pensamos no que perdemos, em todas as pessoas, todos os princípes e princesas a quem não franqueámos o melhor de nós, que não nos enriqueceram com as suas novas.
Olho o meu castelo, penso-te, abro-te a porta. Vem...

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Carpe Diem....

Às vezes estamos sossegadinhos... Andamos na nossa vidinha, com as coisas muito arrumadinhas nas prateleiras, satisfazemos as nossas necessidades básicas e "tá-se bem"...
Não temos grandes felicidades, mas também não temos grandes amargos de boca... Vamos andando!
Até que, sem esperarmos, alguém nos surpreende, até já conhecíamos... mas... Irrompe por nós, despenteia-nos por dentro, ficamos num alvoroço e já nada parece arrumado e tudo é revolução e ficamos divididos, sinto, não sinto, devo não devo...
E ficamos tão vivos, vibrantes...

Não resisto a colocar aqui um pedaço de texto duma grande amiga e escritora que me parece muito adequado:

"A dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.Sofre-se porquê?Porque automaticamente se esquece o que foi desfrutado e se passa a sofrer pelas projeções irrealizadas...por todas as cidades que se gostaria de ter conhecido ao lado de alguém que amamos, por todos os filhos que se gostaria de ter tido,por todos livros e silêncios que se gostaria de ter partilhado. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que quem nada arrisca, e que, esquivando-nos do sofrimento,perdemos também a felicidade.A dor é inevitável.O sofrimento é opcional...Vivam... "

sábado, 15 de setembro de 2007

Pancada!

Bem... Tanto tempo sem escrever e agora que recomecei apetece-me mais! É como se as palavras e os sentimentos se tivessem acumulado todo este tempo e agora queiram sair...
Escrevi no meu texto de apresentação neste blog que gosto de gente... E gosto mesmo. Agora apeteceu-me agradecer a todas aquelas pessoas que... me enriquecem, me incentivam, me estimulam... Ou que me puxam as orelhas, quando preciso!Tenho muita sorte de os ter na minha vida... Vocês sabem quem são. Bem hajam!

Estações do ano

Voltei à escrita, à escola, à rotina... E gosto. Muito. As férias passaram, lá fui para norte, para sul, cumpri os calendários, as praxes das férias.
Volto à escrita de manhã cedo, como gosto, com o ainda frescor da noite a entrar-me pela janela e o cheiro do Outono a insinuar-se já. Gosto destas alternâncias... Gosto do Verão quando é Inverno, anseio pelo calor, pelas roupas leves, pelo ar quente. Gosto do Inverno quando é Verão... lembro com nostalgia os agasalhos, a sensação de entrar na minha casa quentinha quando venho da rua, o estar a ouvir chover no meu aconchego.
E depois adoro a Primavera, que me faz sentir uma vitalidade especial, regeneradora. Gosto de ir para a minha serra, agreste, e sentir os cheiros da minha infância, apanhar aquelas plantas e flores que só lá encontro.
E desta altura do ano também gosto... O cheiro da terra seca molhada pelas primeiras chuvas de Outono, as cores dos campos, o anunciar de mais um ano.
Cá dentro também há estações... Nem sei muito bem nomeá-las... Mas sei sentir. Se o corpo caminha para o Outono, cá dentro é Primavera... Parece que as coisas ocuparam os lugares que lhes estavam destinados e de cada uma sobressai o melhor, o que mais gosto. Não quer dizer que não haja aborrecimentos, coisas que corram menos bem, mas deixaram de ser relevantes, não me azedam os dias.
Relevante é acordar todos os dias, abrir a janela e gostar ...

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Rir é arriscar-se a parecer louco.
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental.
Estender a mão para outro é arriscar envolver-se.
Expor seus sentimentos é arriscar-se a expor seu eu verdadeiro.

Amar é arriscar-se a não ser amado.
Expor suas ideias e sonhos ao público é arriscar-se a perder.

Viver é arriscar-se a morrer...
Ter esperança é arriscar-se a sofrer decepção.
Tentar é arriscar-se a falhar
Mas... é preciso correr riscos.
Porque o maior azar da vida é não arriscar nada.

Pessoas que não arriscam, que nada fazem, nada são.
Podem estar evitando o sofrimento e a tristeza
Mas assim não podem aprender, sentir, crescer
mudar, amar, viver...

Acorrentadas às suas atitudes, são escravas,
abrem mão de sua liberdade.
Só a pessoa que arrisca é livre
Arriscar-se é perder o pé por algum tempo.
Não se arriscar é perder a vida...


Sören Kierkegaard, algures no séc. XIX

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Partida.

Manhã cedo. Neblina fresca. Noite mal dormida. Estou de partida. Para o pé do mar, algures para norte, lá onde a água é mais fria e o vento mais forte. As palavras voltarão revigoradas, alimentadas de algas, maresia e sol. Mais claras, mais luminosas, mais salgadas.

segunda-feira, 23 de julho de 2007


Por entre as noites de perdição
A vida morre devagar
Embrulhada nos ventos da paixão
Dos poemas abertos de par em par
Que nos fazem canção
Que nos acordam outra vez ao sonhar
Por entre as noites de amor fugidio
A vida volta-nos as costas a rir
Dá-nos calor e dá-nos frio
Mostra-nos que temos de partir
Que somos um nada sem vazio
Que somos tudo em cada fugir
Por entre nós mesmos perdemos o norte
Damos tudo e ficamos pequenos na serra
Perdidos nos sonhos de maré forte
Nas luas que iluminam esta terra
De onde nascemos com sorte
De onde morreremos na guerra

Entre...